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PF desarticula grupo de tráfico internacional de drogas que abastecia o PCC

Foram cumpridos 11 de 22 mandados de prisão e 60 de busca e apreensão nos Estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Pará

Miguel Portela e Gheisa Lessa - O Estado de S. Paulo,

30 de novembro de 2012 | 14h40

CASCAVEL - Após dois anos de investigações da Polícia Federal, policiais desarticularam nesta sexta-feira, 30, uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de drogas, em especial crack e cocaína. A base da quadrilha era a cidade de Cascavel, no oeste do Paraná. Até o fim da tarde foram cumpridos 11 dos 22 mandados de prisão e 60 de busca e apreensão. Entre os detidos está Gilmar dos Santos Arruda, suspeito de pertencer a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

A operação, batizada de "Vera Cruz", foi desenvolvida simultaneamente no Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Pará, e contou com o apoio no território paraguaio da Secretaria Nacional Antidrogas. De acordo com a Polícia Federal, a organização criminosa montou o núcleo de comando em Cascavel, que fica próximo da fronteira com o Paraguai.

A partir da cidade paranaense, a quadrilha negociava a venda de drogas para outros Estados do Brasil, especialmente Santa Catarina, Bahia, Pará, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, onde foram cumpridos os mandados de prisão e de busca e apreensão. Os criminosos vendiam drogas inclusive para as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo tinha um patrimônio estimado em R$ 20 milhões.

A polícia informou que a quadrilha dispunha de aproximadamente R$ 10 milhões como capital de giro para a compra e venda de drogas. De acordo com o delegado-chefe da Delegacia da Polícia Federal de Cascavel, Fábio Simões, os criminosos não ostentava riqueza e tinham hábitos simples para não chamar a atenção.

As investigações mostraram que a organização teria iniciado com o contrabando de mercadorias do Paraguai e há cinco anos migrado para o tráfico internacional de drogas. Alguns integrantes adquiriram propriedades rurais, máquinas, implementos agrícolas e até cavalos de raça. Em Catanduvas, cidade a 40 quilômetros ao sul de Cascavel, está localizada uma das fazendas adquiridas pelos chefes da quadrilha. O local serve para o cultivo de soja e milho.

Todos os bens pertencentes aos acusados foram bloqueados pela 1ª Vara da Justiça Federal de Cascavel. "Desde que iniciamos as investigações já foram apreendidas, de posse desse grupo, cerca de 1,3 tonelada de crack e cocaína e três toneladas de maconha", afirmou o delegado-chefe.

No fim da tarde desta sexta-feira, a Polícia Federal de Cascavel divulgou o balanço da operação "Vera Cruz". Além das 11 pessoas presas, sendo 6 na região de Cascavel, 2 em Santa Catarina, 2 em São Paulo e 1 no Pará, foram apreendidos 8 tratores, 1 ceifadeira, 1 retroescavadeira, 10 cavalos manga larga (Pará), 10 carros, 3 armas e R$ 50 mil em dinheiro, além de computadores, documentos diversos.

Conforme as autoridades, o esquema fazia o transporte de entorpecentes do Paraguai para o Brasil com veículos de luxo. A droga ficava escondida na carroceria dos automóveis e cruzava a fronteira sem ser notada.

Os bens retidos na região de Cascavel foram trazidos à sede da PF e os presos levados para a 15ª SDP (Subdivisão Policial).

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