PF desbarata quadrilha de contrabandistas no PR

A Polícia Federal realizou hoje operação com o intuito de desbaratar quadrilhas que agem na região de Guaira, no oeste do Paraná, na fronteira entre Brasil e Paraguai, com a prática de contrabando e corrupção de policiais.

EVANDRO FADEL, CORRESPONDENTE, Agência Estado

17 de novembro de 2011 | 18h50

Entre os 108 mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal em Guaira e em Umuarama, 43 são contra policiais civis e militares do Paraná, além de um policial rodoviário federal. A PF informou, no fim da tarde, que "quase a totalidade" dos mandados tinha sido cumprida, mas ainda não havia um balanço completo, pois as equipes estavam espalhadas por várias cidades.

A Operação Láparos (filhote macho de coelho, animal que se reproduz com rapidez) também teve o objetivo de cumprir 150 mandados de busca e apreensão, que se estenderam por 38 municípios paranaenses, além de outros nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais e Rondônia.

Aproximadamente 600 policiais federais estiveram envolvidos na operação. Os policiais presos foram entregues às corporações, que ficarão responsáveis pela custódia. Os civis ficarão detidos em suas próprias regiões.

O superintendente da PF no Paraná, José Alberto Iegas, declarou-se surpreso com o número alto de policiais envolvidos. "Infelizmente é uma realidade que vivemos em relação à participação de agentes públicos no contrabando e descaminho na região de fronteira", lamentou.

Segundo ele, os policiais atuavam de várias formas, às vezes passando informações sobre operações de combate, em outras como batedores de cargas ilegais ou, ainda, fazendo a apreensão, mas, ao invés de conduzir os produtos para a delegacia, extorquiam os contrabandistas, tirando-lhes dinheiro para serem liberados.

As investigações que resultaram na operação de hoje começaram há 14 meses. Segundo a PF, no período de investigação foram presas 202 pessoas em flagrante. O maior envolvimento da quadrilha era com o contrabando de cigarro adquirido no Paraguai. Nos 14 meses foram apreendidos mais de 3 milhões de pacotes.

De acordo com a assessoria de imprensa da PF em Guaira, 70% do contrabando de cigarro vai para São Paulo. Nesse período também foram recolhidos 6,5 toneladas de agrotóxicos, 109 caminhões, 76 automóveis e 13 embarcações.

Durante a investigação, a PF diz ter comprovado o envolvimento de 13 policiais civis, 29 militares e um rodoviário federal. Com os documentos apreendidos hoje, a PF espera reforçar as provas contra os já identificados e acredita que descobrirá possível envolvimento de outras pessoas.

A Secretaria da Segurança Pública do Paraná informou que contribuiu para as investigações comandadas pela PF. Segundo a assessoria, a Corregedoria da Polícia Civil e o comando da Polícia Militar acompanharão os processos e tomarão as medidas internas para possível punição disciplinar contra os acusados.

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