PF diz ser impossível medir dano da Chevron

Relatório sobre o vazamento de óleo na Bacia de Campos no ano passado contradiz parecer do Ibama

FELIPE WERNECK / RIO, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2012 | 03h04

Relatório da Polícia Federal indica ser impossível mensurar o dano ambiental causado pelo acidente da Chevron na Bacia de Campos em novembro de 2011. Laudo anterior, assinado por técnicos do Ibama e da Marinha duas semanas após o início do vazamento, havia apontado "dano ambiental grave". A multa de R$ 50 milhões aplicada pelo Ibama contra a Chevron é baseada nesta análise.

O entendimento técnico era de que não havia possibilidade de o volume de óleo (pelo menos 2,4 mil barris) passar despercebido pelo ecossistema. Em sua defesa, a petrolífera americana deverá agarrar-se ao novo laudo.

Em nota divulgada ontem, a Chevron alega que "um monitoramento contínuo na área do incidente mostra que não houve impacto à vida marinha ou à saúde humana" e "nenhum óleo chegou à costa brasileira". A empresa recorreu da decisão do Ibama.

A PF informou, por meio de nota, que seu laudo pericial "faz parte do conjunto probatório incluído no inquérito policial instaurado para apurar o vazamento". Uma fonte da PF disse, porém, que o laudo foi descartado por não ter sido concluído no prazo. "Talvez tenha valor como estudo acadêmico, mas pode ser um presente para a defesa."

O procurador da República Eduardo Santos, autor da denúncia de crime ambiental contra a Chevron, disse desconhecer o laudo da PF. "Recebo com surpresa no meio de três processos um relatório que venha a concluir pela inexistência de dano. Que tipo de metodologia foi usada? A mesma PF conduziu o inquérito e concluiu que houve dano. Estou convicto do dano ambiental." A Agência Nacional do Petróleo afirmou que está finalizando um relatório com exigências que serão feitas à Chevron.

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