PF encerra inquérito sobre roubo ao Banco Central no Ceará

Dos R$ 164,7 milhões roubados, apenas R$ 50 milhões foram recuperados, sendo menos da metade em dinheiro

Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2008 | 19h43

Após três anos e três meses de buscas, a Polícia Federal deu por encerrada nesta quarta-feira, 19, a Operação Toupeira, que investigou a quadrilha responsável pelo roubo de R$ 164,7 milhões do Banco Central em Fortaleza, o maior do Brasil. Dos 36 membros originais da quadrilha, 26 foram presos, quatro foram mortos, quatro estão foragidos e dois ainda não estão identificados, conforme balanço divulgado pelo delegado Antônio Celso dos Santos, encarregado do inquérito. Do dinheiro levado, só cerca de R$ 50 milhões foram recuperados, sendo R$ 19,8 milhões em espécie e pouco mais de R$ 30 milhões em bens como fazendas, mansões, empresas, imóveis diversos, carros, barcos, jóias e até títulos de investimento. A PF acredita que outros R$ 30 milhões foram extorquidos por policiais corruptos em diversas partes do país, nove deles já presos. Entre os policiais presos, cinco são de São Paulo - três já soltos para responderem em liberdade - e quatro do Ceará. Na média histórica mundial de grandes roubos de dinheiro, segundo Santos, menos de 20% do volume são recuperados, mesmo quando os criminosos são presos. A situação até podia ser pior, segundo o delegado: "Havia R$ 8 bilhões dentro do banco e tecnicamente os ladrões poderiam ter levado R$ 400 milhões", disse. O roubo ocorreu num feriado prolongado em agosto de 2005 e a polícia chegou ao local do crime na segunda-feira. Os bandidos tiveram 48 horas de dianteira para sumir com o dinheiro. A perseguição começou com um cartão de telefone pré-pago, esquecido por um dos bandidos no túnel. A quebra do sigilo telefônico permitiu chegar aos números usados pela quadrilha, endereços e nomes.

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