PF faz busca na casa de Eike; MMX nega irregularidades

A Polícia Federal cumpriu nestasexta-feira mandados de busca e apreensão na casa e em algunsescritórios do empresário Eike Batista, como parte de umaoperação que visa averiguar a existência de suposta fraude naconcessão de uma estrada de ferro no Amapá, informou aassessoria de imprensa da PF. Além da busca e apreensão na casa de Eike, dono da EBX quecontrola a MMX, do setor de mineração, e a OGX, da área depetróleo e gás, entre outras, a Polícia Federal realizou outros11 mandados de busca e apreensão na operação intitulada Toquede Midas. "Foram encontrados indícios de direcionamento da licitaçãopara que as empresas de um mesmo grupo vencessem o certame",informou a PF em comunicado em seu site. Não foi pedida nenhuma prisão nessa investigação. A empresa investigada se manifestou em um comunicado nestatarde, negando qualquer irregularidade no processo de concessãoda ferrovia. Eike, de 51 anos, é um dos executivos do ramo de mineraçãomais ricos do mundo e recentemente ingressou no ramo depetróleo com a OGX, empresa que protagonizou a maior aberturade capital da história do país. No início do ano, Eike vendeu parte da MMX para a AngloAmérica. A operação resultou na criação de uma nova companhia,a Newco, que ficou com duas das quatro minas de minério deferro da MMX, o sistema Amapá e o sistema Minas-Rio. Segundo a polícia, tal direcionamento na licitação teria sedado com o ajuste prévio de cláusulas favoráveis às empresas dogrupo, principalmente as referentes à habilitação dosparticipantes no procedimento licitatório. Isso, de acordo coma PF, afastou outros interessados na concessão da estrada deferro. "A referida concessão foi obtida por uma segunda empresaperante o governo do Estado do Amapá. A companhia vencedorarepassou a concessão para a primeira empresa, ambas do mesmogrupo econômico", informou a polícia. NEGATIVA A MMX Amapá "nega que tenha cometido qualquer tipo deirregularidade ou ilícito nas ações ligadas à licitação, queresultou na outorga da concessão da Estrada de Ferro do Amapáem favor desta empresa", segundo uma nota divulgada pelacompanhia ao mercado. A empresa, cujos escritórios no Amapá e também no Rio deJaneiro foram alvos da operação, informou ainda que, "diante derumores no Estado sobre existência de eventual investigaçãopolicial a respeito de suas atividades, colocou-se à disposiçãodas autoridades locais para cooperar de todas as formaspossíveis com o processo investigatório". A companhia afirmou ainda que, ciente da decisão da JustiçaFederal de Macapá, ajuizou no Tribunal Regional Federal da 1aRegião, em Brasília, medida cabível para garantir amplo acessoa qualquer investigação contra a empresa. Segundo a MMX, o pedido feito ao TRF foi deferido, e aempresa ainda aguarda o cumprimento pela Justiça Federal. A ferrovia que teria sido alvo da fraude liga as cidades deSerra do Navio e Santana e é responsável pelo transporte deminério do interior do Amapá para o Porto de Santana, àsmargens do Rio Amazonas. Os mandados de busca foram realizados em Macapá, Rio deJaneiro e Belém. Além disso, segundo a PF, a investigação tem por objeto opossível desvio de ouro lavrado nas minas do interior do Amapá,"havendo fortes suspeitas de que o minério não esteja sendototalmente declarado perante os órgãos arrecadadores detributos, principalmente a Receita Federal", disse a polícia emnota. Com relação a esta investigação, a MMX ressaltou que "nãorealiza quaisquer atividades de mineração de ouro no Amapá ouem qualquer outra região do país". Às 16h43 os papéis da MMX caíam menos do que anteriormentena Bovespa --9,39 por cento--, enquanto as ações da OGXreduziam perdas para 11 por cento --esses papéis chegaram acair mais de 20 por cento. Referência da Bolsa de Valores deSão Paulo, o Ibovespa perdia 0,05 por cento. TERCEIRO MAIS RICO Além de reservas de minério de ferro, Eike é dono de umprojeto de exploração de bauxita, portos, usinas de energia euma empresa de água. Todas as empresas de Eike contam com um X em seus nomes,algo que ele afirma simbolizar a multiplicação de sua fortuna. A revista Forbes calculou neste ano a fortuna de Eike em6,6 bilhões de dólares, o que faz dele o terceiro homem maisrico do Brasil --depois de Antônio Ermírio de Moraes, daVotorantim, e do banqueiro Joseph Safra-- e o 142o do mundo. Ex-marido da "sex symbol" Luma de Oliveira, o empresário deascendência alemã tem dois filhos, Olin e Thor, com 12 e 16anos de idade, do casamento com ela. Os dois divorciaram-se em2004. O pai de Eike, Eliezer Batista, destacado executivo dosetor de mineração nos anos 1980, foi presidente da Vale, aindaestatal, por duas vezes. (Reportagem adicional de Carmen Munari e Roberto Samora)

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