PF indicia mais dois e encerra inquérito sobre Enem

A Polícia Federal (PF) concluiu hoje o inquérito que investigou o vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2009 e divulgou o nome de outras duas pessoas que participaram do esquema. Segundo a PF, o mentor da operação foi Felipe Pradella, que contou inicialmente com a ajuda de dois colegas que trabalhavam com ele na empresa Cetro, uma das três que compunham o consórcio vencedor da licitação do Enem: Marcelo Sena, 20 anos, e Felipe Ribeiro, 21 anos. Eles tinham livre acesso à gráfica Plural, onde as provas foram impressas. Ambos foram indiciados por quebra de sigilo funcional e peculato, crime atribuído a servidor público ou a quem exerce função equiparada.

ANNE WARTH, Agencia Estado

06 Outubro 2009 | 18h27

Pradella, da mesma forma que o empresário Luciano Rodrigues - dono de uma pizzaria nos Jardins - e o DJ Gregory Camillo Craid, foi indiciado por extorsão por tentar vender as provas para o jornal O Estado de S. Paulo. "O caso está totalmente esclarecido", disse o chefe da Delegacia de Repreensão a Crimes Fazendários, Marcelo Sabadin Baltazar.

Segundo ele, o primeiro caderno de provas foi furtado no dia 21 de setembro por Felipe Ribeiro, a pedido de Pradella, que escondeu a prova na cueca. No dia seguinte, foi Pradella quem furtou o segundo caderno de provas e escondeu debaixo da blusa de Marcelo Sena. Há imagens do circuito interno da empresa que mostram Sena levando a blusa para dentro de um veículo. "Com os dois cadernos de provas na mão, Pradella tentou obter dinheiro fácil", afirmou Baltazar.

Ameaças

A PF tem convicção de que foi Pradella quem ameaçou de morte a repórter Renata Cafardo, embora ele negue a ação. "Temos certeza de que foi ele", disse o delegado. A PF tem uma gravação telefônica, segundo a qual Pradella ameaça matar a repórter se ela não lhe desse R$ 10 mil em troca. Nenhum dos cinco indiciados foi preso e todos responderão ao processo em liberdade. "Não é caso de prisão", ressaltou Baltazar, que informou que Pradella tem antecedentes criminais - um crime contra o meio ambiente por soltar balões.

Segundo o superintendente em exercício da PF em São Paulo, Fernando Duran Poch, não houve motivações políticas para o crime, mas apenas interesse econômico. "As investigações mostram um grupo de amadores tentando obter dinheiro de uma maneira esquisita ao vender as provas para a imprensa", explicou Baltazar.

Pradella, Sena e Ribeiro assumiram o crime, mas negaram ter pedido R$ 500 mil para a imprensa pelas provas furtadas. De posse das provas, Pradella procurou o amigo e DJ Gregory Camillo, que tinha contato com jornalistas pelo fato de trabalhar na noite paulistana, e ambos procuraram o empresário Luciano Rodrigues, que fez o contato com o jornal O Estado de S.Paulo.

Em depoimento, Marcelo Sena disse que Pradella queimou os cadernos de prova furtados. Não há imagens do momento do furto das provas, mas os depoimentos indicam que os cadernos permaneceram o tempo todo com Pradella.

O superintendente em exercício disse que a PF fará também um relatório com sugestões ao Ministério da Educação para aprimorar o sistema de segurança de impressão das provas, o que evitaria vazamentos. Baltazar frisou que "a fragilidade é da empresa contratada, não do governo".

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