PF prende 4 por evasão e lavagem de dinheiro em MG

Quatro empresários de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce mineiro, foram presos na manhã de hoje acusados de fazer operações clandestinas de câmbio, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Eles foram detidos durante a Operação Raio X da Polícia Federal (PF), que ainda apreendeu dinheiro, veículos, documentos e computadores em nove endereços da cidade. Segundo as investigações, o grupo usava "empresas laranjas" que, juntas, causaram prejuízo de aproximadamente R$ 50 milhões aos cofres públicos.

MARCELO PORTELA, Agência Estado

14 de abril de 2011 | 15h31

De acordo com a Polícia Federal, os acusados operam como doleiros do município, localizado numa região conhecida por ser origem de grande número de emigrantes ilegais, principalmente para Estados Unidos e Europa. As operações de câmbio eram feitas sem autorização do Banco Central (BC). Os emigrantes chegam a pagar US$ 14 mil para quadrilhas especializadas em providenciar a documentação e fazer as travessias clandestinas.

As investigações da PF, coordenadas pelo delegado Andrei Borges, revelaram que o grupo usava empresas de fachada dos ramos de informática, de pedras preciosas e de turismo para cometer os crimes. Ainda segundo a PF, os nomes dos estabelecimentos eram usados para disfarçar casas clandestinas de câmbio e para ocultar a origem do dinheiro, além da remessa de recursos para o exterior.

Os crimes começaram a ser apurados ainda em 2007, a partir de relatórios elaborados pela Receita Federal. O Fisco detectou movimentações financeiras "atípicas" por parte dos acusados. Na manhã de hoje, agentes da PF executaram quatro mandados de prisão contra os suspeitos e nove mandados de busca e apreensão. Os nomes dos acusados e das empresas não foram revelados.

Ainda segundo a PF, o grupo, que foi encaminhado para a Cadeia Pública de Governador Valadares, vai responder por ocultar ou dissimular a origem de recursos, evasão de divisas e operação de câmbio sem autorização. Somadas, as penas podem chegar a 20 anos de prisão, agravadas pelo fato de os crimes serem cometidos de forma habitual.

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