PF prende 40 acusados de crime ambiental em MT

A Polícia Federal (PF) prendeu até o início da tarde de hoje 40 acusados de envolvimento em um esquema de extração ilegal de madeira na Reserva Indígena Vale do Guaporé, no Mato Grosso. Entre os presos estão dois policiais rodoviários federais, um policial militar, o chefe da fiscalização da Secretaria do Estado do Meio Ambiente (Sema) e três servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai), dos quais um seria índio. A operação, intitulada Caipora, foi iniciada hoje. Ao todo, foram expedidos 47 mandados de prisão e 54 de busca e apreensão. Eles estão sendo cumpridos em Vilhena (Rondônia) e nas cidades mato-grossenses de Cuiabá, Cáceres, Pontes e Lacerda, Nova Lacerda, Conquista D''Oeste e Comodoro. Os suspeitos poderão ser indiciados por prevaricação, formação de quadrilha, extração ilegal de madeira, furto qualificado, receptação e corrupção ativa e passiva. Segundo a PF, para desmatar a área, os criminosos aliciavam índios e subornavam servidores. Os índios receberiam carros, motocicleta e alimentos para permitir a exploração da reserva. Quantos aos policiais e funcionários da Funai e da Sema, caberia o papel de fazer vista grossa ao esquema e alertar os madeireiros sobre possíveis ações de fiscalização na área. Os donos de fazenda na região também são investigados, pois autorizariam que os madeireiros utilizassem suas terras como rota de acesso ao Vale e depósito das madeiras extraídas. A PF estima que 5.888 hectares tenham sido desmatados, o equivalente a 71 mil campos de futebol. Ou seja, 5% dos 245.871 hectares da área total da reserva. De acordo com a PF, esses dados se referem a áreas visualizadas por satélites e não incluem o desmate seletivo. Portanto, suspeita-se que a área devastada seja muito maior.

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