PF procura corpo de índio morto em confronto no MT

A Polícia Federal iniciou nesta quinta diligências para tentar localizar o corpo de um índio da etnia Munduruku, que teria morrido no confronto com policiais ocorrido numa reserva ambiental em Alta Floresta (MT), durante operação de destruição de dragas usadas em garimpos ilegais na região. Os índios, donos de uma draga, reagiram à operação e o confronto deixou nove feridos - seis índios e três policiais, sendo dois da PF e um da Força Nacional de Segurança Pública.

VANNILDO MENDES, Agência Estado

08 de novembro de 2012 | 20h56

A destruição de dragas fazia parte da Operação Eldorado, desencadeada desde o dia 6 no Mato Grosso e mais seis Estados, para desmantelamento de uma quadrilha que explorava garimpos ilegais áreas indígenas, com a participação de empresários e a cumplicidade de alguns caciques. Ao tentarem destruir uma draga na Aldeia Teles Pires, o cacique Camaleão, que participava das negociações, surpreendeu o delegado com uma bordunada na cabeça.

Ato contínuo, conforme o levantamento da PF, um grupo de cerca de cem guerreiros mundurukus avançou sobre os policiais desferindo flechadas, golpes de borduna e de facão. Houve também disparos com arma de fogo. Bem armados, os policiais reagiram e conseguiram dominar a situação. 19 índios foram presos e dois feridos graves levados para hospitais de Alta Floresta. A PF não informou o nome do delegado agredido para preservá-lo.

Notícias posteriores indicaram que um indígena teria morrido e seu corpo teria sido encontrado boiando no rio Teles Pires. Após contato com a direção da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Brasília, a PF informou que na verdade o que há são notícias relatadas por índios da região - mas não confirmadas, dando conta que o corpo teria sido encontrado boiando.

Mas não há boletim de ocorrência, registro de IML, nem a informação até agora foi confirmada por qualquer órgão policial da região. Por determinação do Ministério da Justiça, a Direção da PF mandou colher os depoimentos de policiais, índios e testemunhas do conflito para saber se houve excesso na ação, hipótese em que será aberto processo disciplinar para responsabilização de culpados.

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