PF quer redução de até 90% em ataques virtuais

Órgão criou banco de dados para cruzamento de transações indevidas

Elvis Pereira, O Estadao de S.Paulo

21 Dezembro 2009 | 00h00

Para combater crimes virtuais, como clonagem de cartões e roubo de dados pela internet, a Polícia Federal (PF) mapeou ocorrências, em parceria com a Caixa Econômica Federal, para saber quem são, onde estão e como agem os bandidos. De posse das informações, a PF pretende cortar pela metade o volume de ataque a contas em 2010 e em 90% do total em 2011. Diante da ambição do projeto Tentáculo e dos primeiros resultados, os bancos privados assinaram neste mês acordo de cooperação com o órgão federal.

O rastreamento inicial resulta do acordo assinado com a Caixa, em 2008. O documento prevê que, dali em diante, o banco repassará à PF dados referentes a todos os desvios de dinheiro pela internet e por clonagem de cartões. Pará, Maranhão, Ceará e Goiás abrigam as principais quadrilhas de invasores a contas bancárias pela internet. Os clonadores, por sua vez, preferem agir em São Paulo, Minas, Rio e Rio Grande do Sul.

Em fevereiro, as informações começaram a entrar na Base Nacional de Fraudes Bancárias da PF, em Brasília, para aposentar o antigo modelo de investigação. "Em 90% dos inquéritos, não se identificavam uma quadrilha porque o delegado partia de uma fraude isolada, cometida em uma conta, quando sabemos que um bando frauda 500", diz o delegado Rodrigo Bittencourt, chefe interino da Unidade de Combate a Crimes Cibernéticos.

A falha começou a mudar. Em nove meses, a PF armazenou na base detalhes de 144 mil saques, transferências ou pagamentos indevidos, praticados contra clientes da Caixa de 2006 para cá. Só neste ano, foram 63 mil - 24 mil em São Paulo. Essa avalanche de dados produziu, desde agosto, 16 inquéritos, nos quais são analisadas 2,4 mil fraudes. Números que confirmam a tese da PF de que há poucas e fortes quadrilhas.

FAIXA ETÁRIA

As invasões a contas pela internet nasceram há pouco tempo, assim como seus autores. A maioria é de jovens da classe média, de até 35 anos e ficha limpa. "Eles gostam de computador, mas não são necessariamente pessoas com formação na área", afirma Bittencourt. Eles enviam e-mails para enganar vítimas. Existem contas de passagem, pelas quais o dinheiro entra e sai rapidamente para atrapalhar o rastreamento.

As clonagens reúnem outras características. Costumam ser praticadas por pessoas de classe baixa. Com cartões falsos, eles fazem compras ou sacam até R$ 1 mil, o limite diário. Quem clona cartões ou invade contas responde por furto qualificado mediante fraude e formação de quadrilha, com penas de 1 a 8 anos de prisão.

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