Pianista de 14 anos toca Beethoven na Sala São Paulo

A japonesa Aimi Kobayashi sola com a Sinfônica Brasileira no Concerto n.º 1

João Luiz Sampaio, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

Antes de mais nada, vá ao YouTube e digite "Aimi Kobayashi, Chopin". Clique então no Improviso nº 1. Repare a facilidade com que ela percorre o teclado, os olhinhos sempre fechados; a expressão admirada dos músicos; o sorriso do maestro. E, sim, ela tinha apenas 10 anos quando esse vídeo foi gravado.

Aimi, agora, já é uma menina crescidinha. Tem 14 anos e, desde segunda-feira, está no Brasil para uma série de concertos com a Orquestra Sinfônica Brasileira - entre eles, um na Sala São Paulo, amanhã. Ela vai interpretar o Concerto nº 1 para Piano e Orquestra de Beethoven, sob regência de James Judd, que comanda a orquestra em mais duas obras do compositor: a Abertura Coriolano e a Sinfonia nº 6 - Pastoral.

Ela diz que está muito satisfeita, "very, very happy", com a viagem, a orquestra, o maestro. A primeira vez que tocou o concerto de Beethoven foi aos 9 anos. Adora. No YouTube, ela aparece também como solista do Concerto nº 26 de Mozart. "Mas gosto mais de Beethoven". Por quê? "Beethoven é profundo e eu mergulho nele. Mozart é mais fácil, apesar de gostar muito também." Nada como a honestidade de uma pequena adolescente, não?

Sua professora desde os 5 anos de idade, Yuko Ninomyia, diz que ela é um talento de imediata apreensão. "Nos últimos tempos, eu simplesmente mostro a peça para ela e é incrível ver como ela responde imediatamente, com completa profundidade, apesar de tão pouca idade. É um dom inquestionável."

Em uma entrevista de 2006, pouco depois do concerto em São Petersburgo em que Aimi tocou o mesmo concerto de Beethoven programado para o Brasil, sua professora falou um pouco sobre o início da relação da menina com a música. "Não havia um só músico em sua família. Aos 2 anos, ela simplesmente pegou um sintetizador de brinquedo e começou a improvisar. Aos 10, ela já havia conquistado todos os principais concursos japoneses de piano. E, lembre-se: não é fácil se destacar em um país como o Japão."

O mais impressionante, porém, é ouvir Yuko falar da rotina da pianista. "Moramos em cidades separadas, eu em Tóquio, ela em seu vilarejo. Nós nos falamos por telefone e, duas vezes por semana, ela pega um avião e vem me ver. Mas eu ligo sempre e pergunto: "Você está estudando?" E ela diz que não. Odeia a rotina e pega as obras com muita facilidade. Tudo para ela acontece durante o concerto. É aí que ela mergulha na música."

No ano que vem, a EMI Classics, que correu para fechar um contrato de exclusividade c om a pianista, lança seu primeiro álbum, com peças de Bach, Beethoven e Chopin. Enquanto o álbum não chega, voltemos ao Rio. Gostou da cidade? Na verdade, ainda não conseguiu passear. Foi à praia em frente do hotel. "A água do mar é muito fria!". Ontem, estava prevista uma ida ao Pão de Açúcar.

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