PIB cresce menos que o esperado e reduz pressão por alta de juros

Resultado do 3º trimestre foi puxado pela indústria, pelas famílias e pelos investimentos e freado pela agropecuária

Fernando Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

11 Dezembro 2009 | 00h00

O Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2009 cresceu, puxado pela indústria, pelas famílias e pelos investimentos (e freado pela agropecuária), mas num ritmo bem inferior ao que era antecipado pelo mercado e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Na comparação com o segundo trimestre, com ajuste sazonal, o PIB de julho a setembro cresceu 1,3%, ante uma expectativa em torno de 2% do mercado e de Mantega.

Assim, a probabilidade de que o ano termine com crescimento negativo voltou a aumentar, e o PIB terá de crescer 5% no último trimestre (em comparação a igual período de 2008) para que se chegue a zero de expansão em 2009. Já a perspectiva do mercado de aumento da Selic, a taxa básica de juros, deslocou-se em direção a um ponto mais distante de 2010. "A ideia de que haveria aumento já no começo do ano que vem morre completamente agora", comentou Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

O crescimento aquém do esperado no terceiro trimestre somou-se a fortes revisões para baixo dos resultados dos trimestres anteriores pelo Instituto Brasileiro Geografia e Estatística, que surpreenderam o mercado (mas a revisão indicou também que o PIB caiu menos no último trimestre de 2008).

O crescimento do PIB do segundo trimestre de 2009, ante o primeiro, foi revisado de 1,9% para 1,1%. Assim, em vez do ritmo trimestral em torno de 2% (ou de 8,2% anualizado) no semestre de abril a setembro, como muitos julgavam, a economia cresceu 1,2% por trimestre, ou 4,9% em base anual.

Também na comparação com o mesmo período do ano anterior, o PIB do terceiro trimestre teve resultado inferior ao das expectativas do mercado, recuando 1,2%. A mediana das expectativas para esse indicador, coletada pela Agência Estado, era de menos 0,3%. Em quatro trimestres até setembro, o PIB caiu 1%, e, no ano, recuou 1,7%. O PIB do terceiro trimestre de 2009 voltou ao nível do último trimestre de 2007.

As fortes revisões também afetaram a queda dos PIBs trimestrais ante iguais períodos de 2008. O resultado do primeiro trimestre passou de 1,8% negativo para 2,1% negativos; e, o do segundo, de menos 1,2% para menos 1,6%.

Dois destaques positivos no resultado do PIB do terceiro trimestre, e relacionados entre si, foram a recuperação da indústria e dos investimentos. Já a agropecuária deu o toque negativo, e foi o único setor que recuou ante o segundo trimestre, com ajuste sazonal, queda de 2,5% (e 9% na comparação com igual período de 2008). Segundo Rebeca Palis, gerente de Contas Trimestrais do IBGE, das cinco safras relevantes para a produção agrícola no terceiro trimestre - trigo, café, mandioca, laranja e cana -, apenas a última cresceu.

O setor de serviços, mais protegido do colapso parcial das exportações provocado pela crise global, cresceu 1,6% em relação ao segundo trimestre, com dessazonalização, e 2,1% ante o terceiro trimestre de 2008.

Isso se explica em boa parte pelo consumo das famílias, que cresceu 3,9% no terceiro trimestre, ante igual período de 2008 (24.º crescimento trimestral seguido). Em relação ao segundo trimestre, com dessazonalização, o avanço foi de 2%. "As famílias já deixaram a crise para trás e estão acima do auge anterior à turbulência", disse Fernando Rocha, economista e sócio da JGP Investimentos.

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