PIB do Reino Unido recua 0,4%

Queda no terceiro trimestre revela pior crise econômica em 54 anos

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

24 de outubro de 2009 | 00h00

A economia britânica não consegue sair de sua pior crise desde 1955. Diferentemente da França e da Alemanha, que já conseguiram deixar a recessão para trás, o Produto Interno Bruto (PIB) britânico encolheu 0,4% no terceiro trimestre do ano, ante previsão do mercado de alta de 0,2%. O resultado foi um banho de água fria e se refletiu na maior queda da libra esterlina em relação ao euro nos últimos seis meses.

Com isso, a economia do Reino Unido somou seu sexto trimestre de contração, em uma perda que já chega a 5,9% do PIB. O desemprego atingiu sua pior taxa em 14 anos e a dívida atinge níveis recordes.

Assim, o Reino Unido deve acabar sendo o último país do grupo das sete economias mais ricas (G-7) a deixar a recessão. França, Alemanha e Japão já anunciaram que voltaram a crescer no segundo trimestre. No Canadá e na Itália, o fim da recessão também já foi previsto para o fim do terceiro trimestre. O mesmo deve ocorrer com os Estados Unidos.

Com menos de oito meses para as eleições gerais no Reino Unido, a previsão já joga contra o plano do primeiro-ministro, Gordon Brown, de se manter no poder. Se partido conta com uma retomada do crescimento para reverter a vantagem da oposição nas pesquisas de opinião.

Depois de injetar mais de US$ 500 bilhões para relançar a economia e salvar os bancos, Brown foi obrigado a convocar as instituições financeiras para cobrar que voltem a emprestar e liberar créditos para permitir que a economia volte a crescer.

O resultado do trimestre foi mais uma vez usado pela oposição conservadora para atacar o governo. "Está claro que a ideia de que tínhamos um plano para superar a recessão não era verdade", afirmou George Osborne, do Partido Conservador.

O governo contra-atacou dizendo que os dados do PIB provam que a ideia da oposição de retirar imediatamente a ajuda estatal à economia seria "pura loucura".

Em uma pesquisa de opinião publicada nesta semana, a oposição leva 17 pontos de vantagem sobre o governo em relação à percepção de quem administraria melhor a crise. David Cameron, líder dos conservadores, está com 31% das intenções de votos, contra 27% de Brown.

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