PIB dos EUA é revisado para baixo

Crescimento da economia no terceiro trimestre foi [br]de 2,8%; leitura anterior era de expansão de 3,5%

REUTERS, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2009 | 00h00

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu no terceiro trimestre em ritmo mais lento do que o anteriormente estimado, enfraquecido por fortes importações e baixos investimentos em estruturas não residencias, indicando uma lentidão na recuperação econômica.

A segunda leitura do Produto Interno Bruto (PIB) apontou ontem alta a uma taxa anualizada de 2,8%, segundo o Departamento de Comércio, contra leitura preliminar de expansão de 3,5% O mercado previa expansão de 2,9%. Mesmo assim, é a taxa mais alta desde o terceiro trimestre de 2007.

A volta da expansão econômica ocorre após quatro trimestres seguidos de declínio - na pior recessão em 70 anos no país - e com a ajuda do mercado imobiliário. No segundo trimestre deste ano, a economia americana havia encolhido 0,7%.

O lucro das empresas cresceu, assim como a produção, apesar de ainda estarem cortando empregos.

Mas o crescimento das importações, que superou o das exportações, limitou a alta do PIB no período. Os desembarques de mercadorias nos portos americanos cresceram 20,8%, a maior taxa desde o segundo trimestre de 1985. O impacto negativo no PIB foi de 2,53 pontos porcentuais.

Outro impacto negativo no PIB, de 0,5 ponto, veio da construção de estruturas não residenciais, que diminuiu 15,1% no trimestre, destacando problemas no mercado imobiliário.

"Isso mostra que a retomada foi um pouco menor do que a primeira impressão sugeriu e alguns fatores que desaceleram o crescimento continuam a existir", disse Julia Coronado, economista sênior do BNP Paribas, em Nova York.

A redução dos estoques das empresas ocorreu em ritmo levemente maior que o esperado. A queda foi de US$ 133,4 bilhões, ante US$ 130,8 bilhões estimados pelo governo em outubro. Esse fator contribuiu com 0,87 ponto para a alta do PIB.

A redução dos estoques sugere que as empresas estão mais próximas de começar a fazer novas encomendas. "Isso leva a um PIB melhor no quarto trimestre, com estoques maiores", disse John Canally, economista da LPL Financial em Boston.

Excluindo os estoques, o PIB cresceu a uma taxa de 1,9%, em vez de 2,5%. As vendas finais cresceram 0,7%.

O relatório do PIB também mostrou que os lucros corporativos antes dos impostos cresceram 13,4% no terceiro trimestre, o maior crescimento desde o primeiro trimestre de 2004. O crescimento do lucro refletiu os profundos cortes de custo das empresas, sobretudo de empregos, para lidar com a pouca demanda.

Os gastos do consumidor americano não foram tão robustos quanto o governo esperava, mostrou também o relatório do Departamento de Comércio. Esse gastos, que, normalmente, correspondem a dois terços da atividade econômica, cresceram 2,9%, em vez dos 3,4% previstos pelo governo. Ainda assim, foi o maior aumento desde o primeiro trimestre de 2007. O gasto caiu 0,9% no segundo trimestre.

A construção de moradias cresceu 19,5% no terceiro trimestre, abaixo das estimativas, de 23,4%. Além disso, a construção de moradias contribuiu para o PIB pela primeira vez desde 2005.

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