''Pibinho é o da União Europeia'', diz Mantega

Mas ministro admite que o PIB do Brasil não foi tão bem quanto parecia

Fabio Graner, Adriana Fernandes e Renata Veríssimo, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

11 Dezembro 2009 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que os dados divulgados ontem pelo IBGE sobre o PIB brasileiro mostram que a recessão causada pela crise internacional foi "menos forte" do que os dados anteriores mostravam e também que a recuperação da economia não foi tão intensa quanto parecia.

"O PIB caiu menos na crise e também cresceu menos depois", comentou o ministro, que não mostrou grande preocupação com o resultado abaixo do esperado por ele, de alta de 2%, e atribuiu a discrepância à mudança na metodologia de cálculo do PIB. Ele disse acreditar ainda em resultado positivo para o ano, mas evitou falar em números.

Mantega se deu até ao luxo de brincar com o resultado, logo que chegou para a entrevista em que comentaria os dados do PIB. Provocado pelos jornalistas, que brincaram de chamar o resultado de "Pibinho", Mantega respondeu: "Pibinho é o da União Europeia", disse, provocando risos. "União Europeia, positivo 0,4%; esse é que é o Pibinho! Da Espanha, Alemanha, Estados Unidos, esses sim; Reino Unido, negativo."

Sobre os dados do terceiro trimestre, Mantega destacou como pontos positivos a "forte recuperação da indústria" e dos investimentos, que cresceram 6,5%, um dado importante para a sustentabilidade do crescimento. Ele avaliou que o desempenho mais fraco que o esperado acentuou a relevância das medidas de estímulo aos investimentos, divulgadas na quarta-feira.

O ministro ressaltou que o governo tem "um grande programa de investimentos" de longo prazo e enfatizou sua importância para tornar a economia mais competitiva. Segundo Mantega, o PIB um pouco menor só torna os investimentos "mais necessários".

A Fazenda também viu outro aspecto positivo nos dados do IBGE: a recuperação mais lenta da economia deve pelo menos atrasar a subida dos juros pelo Banco Central, prevista por analistas.

Segundo uma fonte, essa discussão é prematura. "Os dados do PIB mostram que qualquer discussão sobre alta de juros por aquecimento da atividade interna é prematura porque a economia só vai atingir seu potencial no final de 2010", disse. "A ênfase no risco inflacionário por questão interna é exagerada."

Na entrevista coletiva, Mantega foi mais comedido, mas também mandou recado: "A gente só tem motivos para subir juros quando a inflação ultrapassa a meta". Ele projeta o IPCA, índice oficial de inflação, abaixo do centro da meta de 4,5%, em 2009, e no centro ou pouco abaixo em 2010.

COLABOROU FERNANDO NAKAGAWA

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