Pior seca em 30 anos do semiárido nordestino afeta Zona da Mata

Segundo produtores de cana-de-açúcar, produção será pelo menos 20% menor; preço da comida subiu

ANGELA LACERDA / RECIFE, O Estado de S.Paulo

17 Maio 2012 | 07h44

A seca que destrói lavouras e reduz o rebanho dos agricultores no semiárido, considerada a pior dos últimos 30 anos, já faz estragos na região da Zona da Mata, faixa paralela ao litoral nordestino, onde ocorre cultivo da cana-de-açúcar.

"Mesmo que o período chuvoso comece hoje, teremos uma redução de 20% na produção de cana do Nordeste", diz o presidente da União Nordestina de Produtores de Cana, Alexandre Andrade. A produção da região é de 62 milhões de toneladas.

No semiárido não há mais esperança de chuva neste ano, lamenta o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape), Doriel Barros, que, em meio às dificuldades de quem vive no agreste e sertão, comemora a conquista de uma reivindicação feita ao governo estadual: a de que os conselhos municipais, que envolvem a sociedade civil, passem a acompanhar e monitorar a distribuição de carros pipas com as populações sedentas.

"Assim a gente assegura que a água vá para quem precisa, sem influência político-eleitoreira", afirma Barros.

O açude da Barra do Juá, na área rural do município sertanejo de Floresta, a 439 km do Recife, entrou em colapso e a comunidade abastecida por ele vivencia "a pior seca da era", nas palavras do coordenador dos usuários do açude, Ricardo Souza.

Embora o preço do alimento tenha duplicado - o quilo do feijão está sendo vendido a R$ 8 -, as pessoas não estão passando fome. A situação dos animais, contudo, é ruim, aponta Souza.

Por enquanto, não há sinal de êxodo dos habitantes do semiárido em busca de locais menos degradados pela estiagem e com maior oferta de alimento e trabalho. "As pessoas têm esperança nas ações do governo", diz o dirigente sindical Doriel Barros.

Hoje, 749 municípios do semiárido estão em estado de emergência. A Bahia enfrenta uma das situações mais graves, com 214 municípios - dos 417 - nessa situação. A Paraíba tem 172, o Rio Grande do Norte, 140 e o Piauí 112. Pernambuco tem 62, Alagoas 28, Sergipe e Ceará 20 cada um. O Maranhão tem um.

Fábrica de chuva. O governo baiano pretende "fabricar" chuva para amenizar os efeitos da prolongada estiagem, que deixa mais da metade dos 417 municípios em situação de emergência e afeta 2,7 milhões de pessoas. Segundo a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola, os prejuízos causados pela seca, considerada a maior no Estado nos últimos 47 anos, ultrapassam R$ 100 milhões.

A Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária está finalizando os estudos para o início da operação nas áreas mais castigadas pela seca: Irecê, na Chapada Diamantina, e Vitória da Conquista, no sudoeste baiano. A tecnologia consiste em pulverizar, usando aviões, água potável em nuvens da regiões, tornando-as mais densas e propensas à precipitação. / TIAGO DÉCIMO

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