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Piratas do Brasil aproveitam a Campus Party para fundar partido no País

O Partido Pirata do Brasil (PPBr) finalmente iça as velas. Em atividade desde 2007, o grupo determinado a levar a bandeira da internet para a política dará o primeiro passo nesta para se tornar oficialmente um partido nesta semana. O processo só deve ser concluído no ano que vem, tornando reais as chances de haver candidatos piratas disputando as eleições em 2014.

Murilo Roncolato, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2012 | 03h08

"A fundação do partido vai sair. Temos todas as condições pra isso", diz o webdesigner e pirata de Florianópolis, Wladimir Crippa, de 41 anos. Para criar o partido será necessário um mínimo de 101 assinaturas de membros-fundadores de nove Estados. O grupo fará a cerimônia durante a Campus Party, evento de tecnologia e cultura digital que terá, nesta semana, sua primeira edição no Recife (PE).

"Vai ser na Campus porque sabemos que vai haver muita gente e precisaremos das assinaturas de mais pessoas, além dos que já são do partido."

No evento, estará presente Rick Falkvinge, fundador do primeiro partido pirata do mundo, na Suécia. Idealizador do movimento político-partidário que está hoje em mais de 60 países, Falkvinge disse ter preparado um discurso sobre sua trajetória como militante (veja entrevista abaixo).

Reunião. O encontro será uma oportunidade incomum para essas pessoas que, em muitos dos casos, se conhecem e debatem suas ideias apenas pela internet. Hoje, o grupo passa de 700 membros espalhados em pelo menos 13 estados do País.

Para formar um partido, eles devem aprovar estatuto, programa de governo, formar uma direção nacional, se registrar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), publicar os documentos no Diário Oficial da União, criar diretórios em ao menos nove Estados, coletar cerca de 500 mil assinaturas, sendo 0,1% do eleitorado de cada unidade da federação, levar a papelada para os tribunais regionais e ter a aprovação do TSE.

A pauta dos piratas é feita de temas do meio digital sobre a livre circulação de ideias e conteúdo na internet, a revisão de leis sobre direitos autorais, a transparência nas instituições e a defesa das plataformas abertas e do software livre. Mas também devem constar temas mais comuns, como saúde e educação.

"Os problemas dos europeus não são iguais aos nossos", diz o jurista e membro do partido, Paulo Rená. A esperança é de que o partido atraia quem não quer mais saber de política. "Acredito que o partido pode se tornar um agregador de gente desiludida com a política tradicional", afirma o biólogo Thyago Almeida, de Recife, também do partido. "Tem uma galera da cultura digital que está esperando para ver se o partido vai sair. Acredito que muitos se filiarão depois que virem que o partido é sério e não só um fórum de internet."

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