Piratas seqüestram superpetroleiro a leste da África

Piratas somalis capturaram um gigantesco navio petroleiro saudita na costa leste da África, no maior sequestro desse gênero de que se tem notícia. A bordo, uma carga equivalente a 100 milhões de dólares, o que fez a cotação global do produto subir. A Quinta Frota Naval dos EUA disse que o navio Sirius Star estava sendo levado na segunda-feira para Eyl, localidade no norte da Somália dominada por piratas, depois de ser sequestrado no domingo. O incidente deve ampliar a pressão do setor por uma ação coordenada de governos contra a pirataria na Somália, um país anárquico que fica em uma das rotas mais movimentadas do mundo, no acesso do oceano Índico ao mar Mediterrâneo. "Isso é sem precedentes. É o maior navio que já vimos ser pirateado", disse o tenente Nathan Christensen, porta-voz da Quinta Frota. "Ele tem três vezes o tamanho de um porta-aviões", comparou. O Sirius Star, pertence à saudita Aramco, transporta até 2 milhões de barris de petróleo -- mais de um quarto das exportações diárias sauditas. O sequestro ajudou a cotação do barril a subir mais de 1 dólar na segunda-feira, chegando a 58 dólares -- valor que depois voltou a cair. O sequestro ocorreu 450 milhas (830 quilômetros) a sudeste de Mombaça, no Quênia, numa área já distante do golfo de Áden, onde muitos seqüestros ocorreram antes que Marinhas estrangeiras passassem a realizar patrulhas. Junto com a presença militar, cresce também a ousadia dos piratas. O Sirius Star rumava para os EUA via cabo da Boa Esperança (extremo sul da África), o que lhe poupava de passar pelos perigos do golfo de Áden, antes de entrar no canal de Suez e no Mediterrâneo. Com 318 mil toneladas, é o navio mais pesado já capturado por piratas. Segundo Christensen, não há relatos de danos à embarcação. Ele não quis dizer se os EUA estão preparando alguma ação para resgatar o navio, que tem 25 tripulantes, entre croatas, britânicos, filipinos, poloneses e sauditas. Em terra firme, forças islâmicas combatem na Somália um governo apoiado pelo Ocidente, e a situação caótica no país propicia a proliferação da pirataria em alto-mar. Armadores já pagaram milhões de dólares em resgates. Os crimes elevam o valor das apólices para o frete e obrigam alguns navios a fazerem rotas maiores para evitar o canal de Suez, o que também eleva o custo do frete. O Sirius Star tem bandeira liberiana, e foi lançado ao mar em março. Ele pertence à Vela International, subsidiária de navegação da gigantesca estatal saudita do petróleo Aramco. (Reportagem adicional de Luke Pachymuthu, em Dubai, Abdiqani Hassan, em Bossaso, Stefano Ambrogi e Dave Cutler, em Londres, David Clarke, em Nairobi)

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