Planalto nega em nota interferência no Legislativo

O Planalto negou em nota, divulgada nesta terça-feira, que estivesse interferindo na escolha da presidência do Senado para 2013, quando o senador José Sarney (PMDB-AP) deixa o cargo.

REUTERS

27 Março 2012 | 18h40

A nota, assinada pela ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, foi divulgada depois de crescerem as especulações de que o Planalto trabalharia para alçar ao posto o atual ministro das Minas e Energia e senador eleito, Edison Lobão (PMDB). O texto teve o aval da presidente Dilma Rousseff, que está fora do Brasil, na Índia, para a reunião dos Brics.

"Não têm qualquer fundamento as notícias divulgadas nos últimos dias atribuindo ao Executivo Federal uma suposta intenção de patrocinar candidato à presidência do Senado Federal", diz o texto.

Segundo o Planalto, essas informações desrespeitam a independência do Poder Legislativo e "afrontam as prerrogativas dos senhores parlamentares" que em 2013 vão escolher, com autonomia, os dirigentes das duas Casas.

As especulações em torno de um apoio da presidente Dilma ao nome de Lobão cresceram depois que o secretário-executivo das Minas e Energia, Márcio Zimmermann, decidiu se filiar ao PMDB. A atitude foi lida no meio político como uma forma de ele, que tem a simpatia de Dilma, assumir o cargo e a pasta permanecer na "cota do PMDB" - partido de Lobão.

Atualmente há uma disputa entre pelo menos dois nomes do partido para ocupar a cadeira de Sarney: Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eunício Oliveira (PMDB-CE). O PMDB, por ter a maior bancada na Casa, tem o direito de permanecer na presidência.

A nota teve como função acalmar os ânimos no Senado, onde o Planalto conta com mais apoio no Congresso em meio à crise que se instalou desde que Dilma trocou as lideranças do governo nas duas Casas, segundo disseram à Reuters fontes do Planalto.

Ao deixar evento na tarde desta terça-feira, a ministra Ideli voltou a repetir que o Poder Legislativo é autônomo e que não há qualquer interferência do governo, apesar da crítica de líderes de partidos aliados de que o Planalto tenta impor uma pauta ao Congresso e controlar o que entra ou não em votação.

(Por Ana Flor, com reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)

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