Planeta

Expansão urbana ameaça vida silvestre em Manaus

, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2011 | 00h00

Não faz muito tempo, a médica Liana Martinho, de 38 anos, levou um susto ao sair cedo de casa e ver um bicho-preguiça se arrastar lentamente em frente do seu carro, atravessando uma grande avenida de Manaus. "Pensei que era um cachorro atropelado. Saí do carro e, como estava escuro, só de perto percebi que era uma preguiça", contou.

A cena não é incomum em Manaus, onde a cidade se espalha especialmente para as zonas leste e oeste, cortando a selva virgem onde moram bichos-preguiça, cobras, jacarés, sauins-de-manaus e outros animais silvestres.

"Não passa um dia sem que não haja de cinco a oito resgates de animais silvestres atordoados com a invasão de seu hábitat", lamenta o veterinário Laérzio Chiezorin, gestor do Refúgio Parque Sauim-Castanheiras, onde vivem animais resgatados.

Somente neste ano já foram realizados 362 resgates e 225 devoluções à natureza de animais que tinham condições de sobreviver fora do cativeiro. Os que não se adaptam ficam na área do Refúgio ou são soltos em matas afastadas na capital.

"É comum resgatarmos preguiças ou macaquinhos eletrocutados em fios desencapados de "gatos" feitos em invasões na periferia", diz o veterinário. O Refúgio trabalha em parceria com os órgãos de fiscalização estadual e federal. O resgate é feito pelos próprios veterinários ou pela Polícia Militar.

ENCONTRO DAS ÁGUAS

Ministra da Cultura questiona porto

A construção do Porto das Lajes, perto do Encontro das Águas - área tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) -, está sendo questionada pela ministra da Cultura, Ana de Hollanda. A ministra solicitou ao Iphan que encomende ao órgão ambiental do Amazonas um parecer informando sobre os danos ambientais. Após o feriado, um grupo de artistas e biólogos solicitará uma audiência com a ministra para apresentar estudos que comprovem os danos à área onde ocorre o fenômeno.

INFRAESTRUTURA

MP pede embargo da Ferrovia oeste-leste

Dez dias depois de o governo da Bahia decidir mudar em cinco quilômetros a localização do Porto Sul, em Ilhéus, o Ministério Público Federal entrou com ação civil pública pedindo a suspensão da construção do trecho baiano da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, por onde devem ser transportados minérios até o porto. A ferrovia só poderia ser retomada depois que a viabilidade ambiental do novo local do Porto Sul fosse atestada. /LIÈGE ALBUQUERQUE E TIAGO DÉCIMO

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