Planeta

Ministro confirma que usinas nucleares podem ficar no papel

, O Estado de S.Paulo

02 Junho 2011 | 00h00

A construção de quatro novas usinas nucleares no Brasil pode não sair do papel. "Essa é uma hipótese que está sendo avaliada", admitiu ontem o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. A ideia inicial do governo era construir duas centrais no Nordeste e outras duas no Sudeste, mas os planos passaram a ser reavaliados depois do acidente na usina de Fukushima, no Japão.

A implementação das centrais nucleares faz parte do Plano Nacional de Energia (PNE), que define as estratégias que devem ser adotadas para o setor até 2035. O plano passa neste momento por uma nova avaliação.

Conforme o Estado antecipou ontem, as quatro usinas nucleares devem ser excluídas do pacote. Segundo Lobão, o processo de reavaliação do programa nuclear brasileiro não vai interferir na construção da usina de Angra 3. "Estamos fazendo uma avaliação da segurança das usinas e as nossas existentes estão entre as melhores do mundo", disse. Esse padrão de segurança deverá ser repetido em Angra 3, cujas obras foram retomadas depois de mais de 20 anos de interrupção. A expectativa é de que a usina comece a operar a partir de 2015.

A decisão sobre o futuro das quatro novas centrais nucleares só deve ser conhecida oficialmente em 2012. As duas primeiras seriam construídas às margens do Rio São Francisco, no Nordeste. As do Sudeste não tinham local definido - a área técnica do governo ainda analisava pesquisas de sondagem. Se o caminho escolhido for realmente o de não construir as usinas, Lobão disse que o governo terá de acelerar a construção de novas hidrelétricas para poder atender a demanda por energia no País.

"Estamos em um processo de construção de usinas eólicas, estudando a energia solar e produzindo energia de biomassa, mas tudo isso será insuficiente para as necessidades brasileiras. Nós teremos de construir hidrelétricas", disse o ministro.

LEI DO CLIMA

SP define metas para os próximos 20 anos

A Prefeitura de São Paulo divulgou ontem as diretrizes para ações de mitigação e adaptação ao aquecimento global. O compromisso lista uma série de medidas e tendências que a capital paulista promete adotar nos próximos anos, conforme exige a Lei 14.933, sancionada em junho de 2009. "Esse plano organiza nossas ações e projetos para o futuro", disse o prefeito Gilberto Kassab, durante a Cúpula C40. A prioridade recai sobre o setor de transportes. Também define prioridades para outras quatro áreas - energia, construção, uso do solo e manejo do lixo. /RENATO ANDRADE, ANDREA VIALLI e CIRCE BONATELLI

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