Plano antienchente está defasado desde concepção

Projeto ainda vai levar 40 anos para ser implementado

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

10 Dezembro 2009 | 00h00

O Plano de Macrodrenagem para a Região Metropolitana de São Paulo já está defasado desde sua concepção. Prevê que a Bacia do Alto Tietê seja capaz de suportar temporais que despejam 80 milímetros de água em duas horas. As chuvas desta semana registraram 77,4 mm em 12 horas, de acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). Mesmo assim a estrutura antienchente não suportou. Além dessa discrepância, o plano de 11 anos atrás deve levar 40 anos para ser implementado se o ritmo de investimentos em obras for mantido.

O projeto, concebido pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), em 1998, financiado com recursos do governo japonês, previa a construção de 134 piscinões na Grande São Paulo. Foram feitos 43. A complementação do que estava previsto consumiria mais R$ 3,6 bilhões em mais 91 reservatórios e não daria conta da água da chuva.

Só as obras de rebaixamento da calha do Tietê já consumiram mais de R$ 1,7 bilhão e não resolveram o problema da inclinação do leito do rio, considerada muito pequena, que o torna quase uma vala, sem declividade, impedindo o escoamento de água e também colaborando no assoreamento. Entre 2006 e 2008, todo o serviço foi praticamente perdido, pois faltou fazer a manutenção do desassoreamento, retomado em outubro do ano passado.

A obra de alargamento e aprofundamento da calha do Tietê foi concluída em 2005. A vazão passou de 650 para 1.188 metros cúbicos por segundo. O Estado mostrou no domingo que os 70 grandes rios, córregos e galerias que deságuam no Tietê, com outras 569 galerias pluviais e de drenagem, contêm juntos pelo menos 364,7 mil toneladas de areia e lixo acumulados em seus leitos nos pontos de intersecção com o Tietê.

Mas o problema vai além disso. O sistema de bueiros e galerias que levam as águas das sarjetas das ruas não recebe o tratamento adequado. Ficam entupidos ou obstruídos a maior parte do tempo. Só na capital, são 397 mil bocas de lobo e 2.850 km de galerias, que precisam ser limpas permanentemente.

Em 2008, o DAEE pagou R$ 27 milhões para empresas retirarem 400 mil m³ de detritos do Tietê. O governo estadual pretende fechar 2010 com as obras concluídas de canalização dos Córregos Oratório, em Santo André, e Vermelho, na região do Pirajuçara, zona oeste da capital com Taboão da Serra; e piscinão Sharp, no Pirajuçara. No ano passado, o programa estadual de combate a enchentes investiu R$ 38,8 milhões, dos R$ 40 milhões previstos. Para a limpeza de canais e corpos d"água havia previsão de recursos próprios de R$ 4,7 milhões - foram aplicados R$ 2,9 milhões.

O Daee alega que para tornar os piscinões mais eficazes há ações complementares como educação ambiental, e que a solução para as enchentes "passa por um conjunto de iniciativas, abrangendo planos de macro e microdrenagem, manejo, uso e ocupação do solo, entre outras".

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