Plano de ataque revela ligações da inteligência saudita

A Arábia Saudita tem usado uma rede incomparável de ligações tribais e familiares para infiltrar fortalezas militantes islâmicas no Iêmen, permitindo que ajudem a combater uma conspiração terrorista contra os Estados Unidos, afirmaram funcionários do Golfo e ex-diplomatas.

ANGUS MCDOWALL, REUTERS

09 Maio 2012 | 15h41

A implantação de agentes contra um alvo da Al Qaeda que aprendeu a evitar comunicações eletrônicas permitiu que os serviços de segurança sauditas interrompessem um terceiro provável ataque em 30 meses, disse um oficial de segurança regional à Reuters nesta quarta-feira.

Perguntado sobre os relatos de que o maior exportador de petróleo do mundo e principal aliado de Washington no Golfo tinha comandado a operação, o funcionário respondeu: "É totalmente verdade".

Pistas vindas de Riad ajudaram a frustrar um ataque a bomba suicida planejado em um avião sobre Detroit em 2009 e revelaram uma bomba disfarçada de cartucho de impressora embarcada em Dubai em um avião com destino a Chicago em outubro de 2010. O último suposto plano envolvia um homem-bomba, aparentemente um agente duplo, encarregado de ocultar explosivos nas roupas íntimas para derrubar um avião dos EUA.

Autoridades norte-americanas culparam a Arábia Saudita pela resposta lenta à ameaça da al Qaeda depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, mas muita coisa mudou depois que bombas atingiram alvos em Riad, em 2003, levando a uma campanha conjunta que tirou a Al Qaeda do reino.

"A cooperação de inteligência entre os Estados Unidos, Arábia Saudita e Iêmen agora é muito eficaz", disse Robert Jordan, que foi embaixador dos EUA em Riad de 2001 a 2003.

"Em maio de 2003, eles perceberam que a al Qaeda era uma ameaça tão grande contra o regime e a família real quanto era para os ocidentais. Eles começaram a se infiltrar verdadeiramente nas células", disse ele.

Recrutas sauditas estão presentes em todos os níveis da al Qaeda na Península Arábica (AQAP), agora vista como a ala mais perigosa do grupo militante.

Isso ajudou Riad a entrar em um movimento regional que migrou para o Iêmen depois que foi expulso do reino em 2006 e jurou derrubar o reinado da família Al Saud.

A segurança da Arábia é capaz de colocar pressão sobre a AQAP através de seus familiares ainda dentro da Arábia Saudita e anteriormente implementou ex-militantes que desertaram do governo quando presos.

Ela também usa os laços entre a realeza saudita e algumas das tribos iemenitas que abrigaram a AQAP, laços que foram reforçados ao longo de décadas por grandes demonstrações de patrocínio.

"Príncipes seniores são próximos de tribos diferentes e podem obter a cooperação deles", disse Jordan.

Embora o oficial de segurança não tenha especificado qual ramo da segurança saudita cuidava do agente, que passou aos investigadores uma bomba no mês passado, especialistas independentes dizem que foi, provavelmente, uma unidade do Ministério do Interior contra o terrorismo.

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