Plano de defesa mira Amazônia e petróleo, diz Lula

Ao apontar os motivos para a criação do plano de defesa Nacional, lançado esta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que o conjunto de medidas visa reorganizar a estrutura das Forças Armadas e da indústria de defesa do país, que está desmontada. Ele mencionou as dimensões do Brasil, a necessidade de vigilância da Amazônia e as recentes descobertas de grandes reservas de petróleo como indicadores da necessidade da montagem de uma estratégia de defesa. "Um país que tem a dimensão que tem o Brasil, um país que acaba de descobrir reservas imensas de petróleo em águas profundas, um país que tem a Amazônia para defender tem que montar uma estratégia de defesa, não pensando em guerra, mas pensando em se defender mesmo, em garantir o patrimônio", afirmou Lula no programa de rádio "Café com o Presidente". Ele defendeu a renovação a indústria do setor e acrescentou que trata-se de um projeto de longo prazo. "Nós temos que reorganizar a nossa indústria de defesa, que está totalmente desmontada." O presidente declarou que o projeto estava em gestação, mas era adiado por falta de recursos. "Já há algum tempo a gente vinha discutindo a tentativa de reorganização da estrutura das Forças Armadas brasileiras, a reestruturação do próprio Ministério da Defesa, e sempre que nós discutíamos, a ausência de dinheiro fazia com que a gente fosse deixando para depois", disse, sem apontar o valor dos recursos para o plano. Inicialmente previsto para sair em setembro, o plano estabelece projetos prioritários para as três Forças e propõe mudanças no regime de compras governamentais. Propostas que levaram ao adiamento do anúncio, por conta de divergências, ficaram fora do texto final, como a que garantiria o investimento de um percentual fixo do Produto Interno Bruto (PIB) no setor. EUA DE FORA No programa de rádio, Lula ainda fez comentários sobre o encontro de presidentes da América Latina e do Caribe realizado na semana passada na Bahia. Ele disse que o mais relevante do encontro de 20 presidentes e representantes de outros 13 países foi o fato dos Estados Unidos terem ficado de fora das discussões, pela primeira vez na história. "A coisa mais importante que esse encontro trouxe foi a própria reunião em si, porque foi a primeira reunião que nós fizemos apenas com os países da América Latina e do Caribe, discutimos os nossos problemas", disse Lula. (Por Carmen Munari)

REUTERS

22 Dezembro 2008 | 12h20

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