Plano de inclusão digital no Brasil é insuficiente, diz estudo

O Brasil tem mais de 100 programas para promover a inclusão digital, a maioria com financiamento estatal, mas esses planos são insuficientes para superar as amplas desigualdades no acesso às novas tecnologias, segundo demonstrou um estudo divulgado na terça-feira. O ritmo lento da promoção do acesso da população brasileira mais pobre à informática e à Internet fará com que o país leve décadas para alcançar os níveis de uso das novas tecnologias nos países avançados, segundo o trabalho "Mapa das Desigualdades Digitais". O estudo, elaborado pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), junto com o Ministério da Educação e o Instituto Sangari, diz que o atual quadro de disparidades regionais e sociais do acesso à Internet no Brasil pode se agravar no futuro se não houver medidas do Estado. "Há uma preocupante fragmentação e setorização das estratégias de inclusão digital, pela ausência de uma política pública do Estado que estabeleça as metas, as estratégias, os investimentos necessários buscando diminuir as desigualdades existentes", informa o relatório. Recentemente, o governo federal anunciou investimentos de 400 milhões de dólares até 2010 para levar ferramentas de informática a 130 mil escolas públicas. Um trabalho anterior da Ritla sobre tecnologia da informação na educação havia demonstrado que a falta de infra-estrutura e a violência nas periferias mais carentes impediam a superação da exclusão digital. Os dados sobre o acesso à Internet no país mostram ainda uma reprodução da exclusão social reinante. Assim, nos Estados mais pobres, como Alagoas, o acesso à Internet de setores socialmente marginalizados, como a maioria da população negra, é de apenas 0,5 por cento do total do grupo. No outro extremo, 77 por cento dos brancos no Distrito Federal têm acesso à Internet. A capital é a região do país com maior índice de desenvolvimento humano. (Por Guido Nejamkis)

REUTERS

07 Agosto 2007 | 18h23

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