Plano do governo mira pobreza extrema na primeira infância

O Brasil caminha para políticas mais complexas do que a simples transferência de renda e o próximo alvo, com o pacote social a ser lançado no final de semana pelo governo, será a primeira infância, que sofre duas vezes mais com a pobreza do que a média dos brasileiros.

ANA FLOR, REUTERS

10 Maio 2012 | 18h42

Há um ano e meio trabalhando no plano que a presidente Dilma Rousseff anunciará em pronunciamento no domingo, o subsecretário de Ações Estratégicas da Presidência, Ricardo Paes de Barros, argumenta que atender a faixa populacional que mais sofre com a pobreza -crianças de até 6 anos- representa uma enorme economia para o país no médio e longo prazo.

Segundo os dados da secretaria, a extrema pobreza no Brasil atinge 8 por cento da população, mas chega a 16 por cento entre crianças nesta faixa etária.

"No Brasil você tem uma desigualdade intergeracional em que os idosos são muito pouco pobres e as crianças são muito pobres", disse à Reuters Paes de Barros, doutor em economia e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Entre as razões está o fato de o país ter construído um sistema previdenciário que garante a todos os idosos um salário mínimo. Já as famílias com crianças nesta faixa etária em geral estão entrando no mercado de trabalho, são mais vulneráveis ou têm maior número de filhos.

TRASFERÊNCIA DE RENDA

"Quando você olha para o benefício do Bolsa Família (de até 306 reais), ele é pequeno se comparado ao salário mínimo (hoje em 622 reais), que é o benefício recebido pelo idoso no Brasil... Por isso, é preciso mais transferência de renda para crianças pequenas", afirmou ele, citando o que deve ser um dos pontos fortes do novo programa.

"O momento do ciclo de uma família em que ela é mais vulnerável é quando ela tem uma criança", completou.

O programa para a primeira infância, segundo Paes de Barros, é possível porque o Bolsa Família e o Brasil Sem Miséria já "pavimentaram o caminho". Ao mesmo tempo, é bastante mais complexo, porque envolve auxiliar famílias a garantir boas condições de desenvolvimento das crianças e ter médicos e assistentes de saúde disponíveis.

O pacote incluirá atendimento à gestantes, recém-nascidos e pais, auxílio para complementação nutricional e creches que permitam que a mãe possa se integrar no mercado de trabalho.

"Uma das formas de resolver o problema da pobreza é permitir que mães jovens possam trabalhar", disse.

Nesta área, além de planejar a construção de novas creches -Dilma prometeu na campanha 6 mil novas unidades até 2014-, o governo quer garantir, por meio de convênios com as prefeituras, vagas para crianças pobres em creches privadas.

"Você vai pegar as creches que já tem e dar um incentivo para elas receberem crianças pobres", disse.

Segundo Paes de Barros, apenas 20 por cento das crianças entre zero e 3 anos estão em creches. Entre crianças pobres, o índice não ultrapassa 4 por cento. "Precisamos dobrar estes números", disse.

(Reportagem adicional de Alonso Soto)

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