Plano não entusiasma Ordem dos Médicos de Portugal

A oferta feita pelo governo do Brasil aos médicos de Portugal não atrairá uma quantidade significativa de profissionais e representa um esforço de Brasília para "tapar o sol com a peneira". O alerta é do presidente da Ordem dos Médicos de Portugal, José Manuel Silva. Nesta terça-feira, 10, a Ordem dos Médicos de Portugal teve reuniões em Lisboa com representantes do governo brasileiro, que foram à capital portuguesa apresentar o projeto aos profissionais locais. Silva afirma que os técnicos não saíram entusiasmados com o que foi oferecido pelo País no encontro.

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE, Agência Estado

10 de julho de 2013 | 09h17

"Vamos recomendar a cada médico português que queira ir ao Brasil nessas condições que primeiro faça uma visita aos locais que o governo brasileiro quer levá-los. Só depois de ver como é o hospital e como irão trabalhar é que um contrato deve ser assinado", disse, por telefone.

A proposta da administração federal brasileira é que médicos estrangeiros possam trabalhar no Brasil sem passar pela revalidação do diploma. Mas, antes, precisam se comprometer que vão apenas para as áreas designadas pelo Poder Executivo e não poderão atuar em áreas ricas de grandes centros urbanos, como São Paulo ou Rio. A estratégia teria como meta assegurar que regiões mais afastadas também sejam atendidas por médicos.

De acordo com ele, porém, a ausência de médicos numa região não será resolvida apenas pondo um estrangeiro ali para trabalhar. "Nessas condições, duvidamos que o Brasil consiga atrair um número importante de profissionais de Portugal. O que queremos saber é se há estrutura nesses locais para trabalhar e, aparentemente, não há." "Dificilmente, um profissional que estudou medicina com padrões europeus de infraestrutura terá condições de se adaptar a um local onde faltam recursos", ressaltou.

Dignidade

Logo depois que a proposta começou a ser aventada no Brasil, em maio, a Ordem dos Médicos já havia levantado dúvidas sobre o plano. O presidente da Ordem dos Médicos de Portugal chegou a dizer que os profissionais não seriam tratados com "dignidade". Mas resolveu esperar até que o Executivo brasileiro apresentasse a estratégia, nesta terça-feira, para se pronunciar oficialmente.

"O que percebemos é que, se essas são as condições, os médicos portugueses que queiram sair do país buscarão ofertas na Europa e em outros países, e não num lugar sem estrutura", disse. "O Brasil pode ser uma alternativa à crise que se vive em Portugal, com salários bons. Mas não na situação que o Brasil está oferecendo." Segundo o presidente da Ordem dos Médicos, os esforços do governo em lidar com a saúde só terão resultados se maiores investimentos forem feitos. "Nesse caso, sim, vale trazer profissionais de fora para preencher posições. Mas, se não há ninguém no Brasil que quer trabalhar nesses locais, por algo será. O que parece que acontece é que se quer tapar o sol com a peneira." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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