Plantas ajudam a variar dieta

Bem longe do cardápio monótono de milho e soja, aves recebem extratos e óleos de nim, canela, limão e eucalipto

Fernanda Yoneya e Niza Souza, O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2008 | 02h22

Para o gerente-industrial da Korin Produção Animal, de Ipeúna (SP), Luiz Carlos Demattê, o uso de plantas no manejo das criações é recente no País. "A partir das proibições ao uso de antibióticos como melhoradores de desempenho e na prevenção de doenças dos animais , a questão começou a ser tratada com mais cuidado", avalia. A Korin produz frangos de corte e ovos em sistema natural e a própria empresa pesquisa, há mais de 15 anos, plantas e outros produtos naturais. "Extratos e óleos essenciais de plantas, como canela, menta, limão, eucalipto e timo, podem desempenhar um papel interessante em criações."Demattê ressalta, porém, que, na criação de frangos da empresa, as plantas não são "remédios". "Não é que uma determinada planta vai substituir um antibiótico. Usamos essas plantas pensando nas características nutricionais e nos seus efeitos na ave", explica. Ele diz que, na natureza, os animais têm acesso a uma grande variedade de alimento, o que lhes proporciona equilíbrio com o ambiente. Quando esse animal é confinado, a dieta torna-se restrita. "De uma enorme variedade de fontes potenciais de alimento, a ave passa a comer milho e soja." Então, a inclusão de óleos essenciais na dieta contribui para o equilíbrio orgânico do animal. "Mesmo que em parcelas pequenas, essas substâncias derivadas de plantas têm princípios que exercem efeito, por exemplo, sobre a flora intestinal dos animais", afirma.Nesse caso, a prevenção de doenças no plantel por meio do uso de plantas "bioativas" seria conseqüência de uma nutrição rica nesses detalhes. Ele explica que, em plantéis de frango de corte, o bom funcionamento do trato digestivo da ave é crucial, pois, quanto mais a ave crescer e engordar, melhor. Daí a importância de tentar manter o equilíbrio da ave com o ambiente. Bananeira contra vermesNa Vila Yamaguishi, em Jaguariúna (SP), produtora de ovos orgânicos - o plantel de galinhas de postura soma 12 mil aves - o uso de fitoterapia e homeopatia já faz parte da rotina da criação, diz o veterinário Romeu Mattos Leite. "Rotineiramente, são fornecidas folhas e caule de bananeira, in natura, para prevenir o ataque de vermes nas aves", diz Leite, acrescentando que também é usado extrato de melissa contra a coccidiose, doença de grande impacto nas aves. "São plantas usadas preventivamente; a homeopatia entra quando há alguma doença." O veterinário diz que na criação de galinhas poedeiras o stress é predisposição para o surgimento de doenças. Na Yamaguishi, porém, onde o bem-estar animal é prioridade, as aves quase não ficam doentes. "E, se ficam, a cura é mais rápida e fácil", garante. InformaçõesEmbrapa Pecuária Sudeste, tel. (0--16) 3411-5600Embrapa Clima Temperado, tel. (0--53) 3275-8113Embrapa Suínos e Aves, tel. (0--49) 3441-0400Besouro é usado contra mosca que ataca bovinos

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