Plantio direto contra o aquecimento

Vantagens da técnica já superam a conservação do solo. Estudos indicam contribuição para reduzir o efeito estufa

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2008 | 01h11

O plantio direto na palha (PDP) já ocupa cerca de 25 milhões de hectares no País, mas pesquisadores não se cansam de divulgar as vantagens que a adoção da técnica proporciona. ''Embora o sistema já esteja difundido no Brasil, o que se discute hoje é o papel do PDP no cenário das mudanças climáticas globais, pela proteção dada ao solo, pela cobertura com palha. Nesse cenário, de aumento de temperatura e distribuição hídrica irregular, com períodos de seca ou excesso de chuvas, a prática será cada vez mais importante na proteção do solo'', acredita o pesquisador da área de Manejo de Solo e Água da Embrapa Soja, Sérgio Luiz Gonçalves.O plantio direto é adotado, tradicionalmente, no cultivo de lavouras anuais, como soja, milho e trigo, mas, conforme o pesquisador, tem potencial para ser usado em cultivos de hortaliças, pastagens e cana-de-açúcar. A prática consiste, basicamente, em não fazer o tradicional preparo de solo com arações e gradagens.SULCO SOB A PALHADAO preparo da terra resume-se a fazer um sulco, sob a palhada da cultura anterior, onde são depositadas as sementes e os adubos. Para isso, utiliza-se uma semeadora para plantio direto, que faz as operações de corte da palhada, formação do sulco e depósito da semente e do adubo dentro dele, explica Gonçalves, destacando que o PDP diminui os custos de produção e ajuda a reduzir os impactos ambientais. ''Há economia de combustível por não haver necessidade de preparar o solo. Há também a diminuição dos riscos de erosão e da compactação do solo, além de economia de água no sistema solo-planta-atmosfera e melhoria das condições químicas, físicas e biológicas do solo. Com o sistema estabilizado, a produtividade tende a crescer ao longo dos anos.''Segundo o pesquisador, para a adoção do PDP, é preciso investir na correção química e na descompactação do solo, controlar previamente determinadas plantas daninhas e adquirir uma semeadora específica para o sistema. ''Além disso, é fundamental que exista palhada da cultura anterior, sem a qual não é possível adotar um PDP ideal.'' Para isso, diz Gonçalves, é preciso fazer a rotação de culturas e evitar o monocultivo. ''Sobretudo no inverno, o produtor deve investir no cultivo de plantas de cobertura, que produzam quantidades mínimas de palha.''E opções de plantas que dão boa palhada não faltam. No Sul, há aveia, centeio, nabo forrageiro e ervilhaca. Em regiões de clima tropical, em sistema de integração lavoura-pecuária, têm sido usadas, com sucesso, algumas espécies de pastagens, como as braquiárias. Na integração lavoura-pecuária, aliás, o PDP é importante aliado. ''Na integração, a palha de braquiária possibilita, por exemplo, o cultivo de soja num sistema de plantio direto ideal. Esse modelo está sendo e será muito importante na recuperação de áreas degradadas, principalmente nos cerrados, na redução do desmatamento de novas áreas.''INFORMAÇÕES: Embrapa Soja, tel. (0--43) 3371-6000

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