Plataforma eletrônica de grãos fecha acordo com indústria

A FortisAgro, plataforma eletrônica de intermediação de compra e venda de produtos agrícolas lançada há poucos meses no Brasil, fechou um acordo com Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), numa parceria que pode marcar o início de um nova relação comercial entre agricultores e o setor industrial.

REUTERS

17 Maio 2012 | 18h23

Atualmente, já são cerca de mil operadores cadastrados na FortisAgro para comprar e vender soja, milho, trigo, arroz, caroço de algodão, sorgo e sebo (para biodiesel), além dos derivados das commodities. Mas plataforma tem meta de aumentar em mais de dez vezes o número de participantes no ambiente de negócios até o final do ano.

A parceria com a Abima, que conta com 50 associados que respondem por cerca de 9 bilhões de reais/ano em faturamento do setores de massas alimentícias e pães industrializados, é um passo importante para conseguir atingir essas metas, assim como elevar os negócios na plataforma, ainda em volumes muito aquém do potencial, disse João Batista Cardoso, um dos consultores do projeto da FortisAgro.

"Vai ser bom para o setor, vai ser bom para todo mundo", comentou ele em entrevista nesta quinta-feira.

Como contrapartida da parceria, um percentual arrecadado pela FortisAgro em negócios feitos por associados da Abima será revertido em benefício da associação.

"Os associados deles irão operar a plataforma, e uma parte vamos devolver para a associação para que ela implemente, por exemplo, plataformas de marketing", explicou Cardoso.

Ele disse ainda que a plataforma, pioneira na negociação de produtos agrícolas pela Internet no Brasil, busca ainda outras associações como parceiras.

Cardoso não especificou o volume de negócios registrados até agora pela FortisAgro nem deu detalhes sobre a parceria, mas considera que a plataforma tem grande espaço para crescer, já que os cadastros no site têm aumentado exponencialmente. "Está tendo uma receptividade muito boa."

MELHORES MARGENS

O presidente da Abima, Cláudio Zanão, por outro lado, vê uma chance para os integrantes da indústria melhorarem as margens, utilizando a FortisAgro.

"As compras hoje ainda são feitas no velho método de receber vendedores. O portal vai facilitar o acesso a preços e a condições melhores para todos", comentou Zanão. "Diria que é um ganha-ganha."

No caso da Abima, alguns associados, além de produzir produtos acabados, como massas, também fabricam a farinha. "Ele poderá tanto comprar o trigo, comprar a farinha, ou vender a farinha" pela plataforma eletrônica, disse Zanão.

Considerando a produção nacional de massas, de cerca de 1,3 milhão de toneladas no ano, o que equivale a um consumo semelhante de farinha, o potencial para negócios na FortisAgro junto com esse setor é grande. "Há boas possibilidades de negócios para todos."

Para que as negociações, realizadas sem a intermediação de corretores, ocorram com segurança, os interessados em participar da FortisAgro são obrigados a se cadastrar e "parametrizar" os produtos que comercializam.

Uma esmagadora de soja, por exemplo, deverá se cadastrar e informar que é compradora de soja, escolher a modalidade que deseja comprar e também indicar quais produtos vende. Depois que indicou os produtos que comercializa, deverá selecionar os operadores (compradores e vendedores) já cadastrados e que comercializam os produtos compatíveis com os que ele indicou.

"Fazendo essa parametrização ele começará a receber ofertas dos produtos selecionados e de operadores escolhidos", disse o representante da FortisAgro.

Outra vantagem da FortisAgro, pela forma como o ambiente de negócios foi montado, é a visualização dos preços no portal, o que vai permitir que o cadastrado acompanhe as cotações do dia dos produtos, acrescentou Cardoso.

(Por Roberto Samora)

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