PM alagoano acusado de integrar milícia chega a Maceió

Manoel de Lima Filho foi preso em São Paulo na última sexta-feira; ele estava fogarido há 18 anos

Ricardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2008 | 15h46

A Polícia Federal e a cúpula da Secretaria de Defesa Social de Alagoas apresentaram nesta segunda-feira, 3, à imprensa o soldado da Polícia Militar de Alagoas Manoel Bernardo de Lima Filho, que foi recapturado em São Paulo e transferido para Maceió no último final de semana. Manoel Bernardo estava foragido há mais de 18 anos e responde por vários crimes, entre eles o de integrar a antiga gangue fardada, grupo de extermínio que atava em Alagoas. Segundo a PF, Manoel Bernardo foi preso em São Paulo na sexta-feira e chegou a Alagoas no domingo.   Segundo o delegado geral da Polícia Civil de Alagoas, Marcílio Barenco, o PM agia em conjunto com o cabo Everaldo Pereira dos Santos - pai da adolescente Eloá Cristina Pimentel, assassinada pelo ex-namorado no ABC paulista -, e com outros membros da "gangue da pistolagem" identificados como Cícero Felizardo, o Cição; João Gabriel; Jadilson Santos Pereira e José Belaildo dos Santos. O PM foi preso quando saía de casa para o trabalho durante uma operação conjunta da Polícia Federal de São Paulo, com base em informações do serviço de inteligência da Secretaria de Defesa Social de Alagoas. Com o nome falso de Valdenor Pereira da Costa, o soldado trabalhava em um posto de saúde em São Paulo. O militar, que responde a processo por deserção na PM de Alagoas, está preso na carceragem da Polícia Federal por motivo de segurança, já que se trata de um preso "especial". A PF tem receio de transferi-lo para o sistema penitenciário alagoano por dois motivos: uma possível fuga, ou então que o preso seja assassinado, por "queima de arquivo". Crimes   Para o delegado Marcílio Barenco, a prisão de Manoel Bernardo pode esclarecer crimes, além de chegar a outros membros da "gangue fardada". Manoel Bernardo é acusado como autor material de pelo menos três crimes, ocorridos em Alagoas. Entre eles, o assassinato do pecuarista José Cardoso Albuquerque, ocorrido em 1989, na cidade de Palmeira dos Índios. Conforme a Defesa Social de Alagoas, o militar confessou o crime, mas alega que matou o pecuarista durante uma operação policial que visava coibir roubo de gado no interior do Estado.   Segundo o comandante da PM de Alagoas, coronel Dalmo Sena, Manoel Bernardo será reintegrado à Polícia Militar para que possa responder ao processo por deserção e só então, dentro do prazo de 30 dias, poderá ser expulso em definitivo da corporação.   Segundo Sena, o pai da Eloá, Everaldo Pereira dos Santos ainda também pertence aos quadros da PM de Alagoas, embora esteja foragido há cerca de 17 anos. "Ele (Everaldo) também terá que se apresentar para responder ao processo por deserção, antes de ser expulso", explicou o comandante da PM.

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