PM: decisão de retardar Choque no Rio foi 'técnica'

O porta-voz da Polícia Militar do Rio, coronel Frederico Caldas, disse na tarde desta terça-feira que foi uma decisão técnica - e não política - o fato de o Batalhão de Choque ter levado três horas para chegar à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) após o início dos atos de vandalismo que depredaram o prédio histórico e encurralaram 72 PMs do 5º Batalhão (Praça da Harmonia) em seu interior, na noite de segunda-feira, 17. O grupo que invadiu a Alerj, composto por cerca de 300 pessoas, se separou dos 100 mil que percorreram a Avenida Rio Branco pacificamente no trecho entre a Igreja da Candelária e a Cinelândia.

MARCELO GOMES, Agência Estado

18 Junho 2013 | 19h09

Segundo Caldas, o público que participou da manifestação dessa segunda surpreendeu a corporação. A polícia havia estimado que o público ficaria entre 2 mil e 3 mil pessoas - mesmo contingente do protesto ocorrido na última quinta-feira, 13. Por isso, nessa segunda-feira inicialmente foram mobilizados apenas 150 policiais do 5º Batalhão ao longo da Avenida Rio Branco para acompanhar diretamente a manifestação, e outros cem no entorno da região. O Choque ficou aquartelado.

"Nosso planejamento previa que o 5º Batalhão deveria esgotar todas as possibilidades de negociação antes de o Batalhão de Choque ser acionado. Devido à multidão, tínhamos uma preocupação grande com o que poderia gerar com a chegada do Choque. Até o momento em que atearam fogo à porta lateral da Alerj, nossa responsabilidade maior era com a integridade dos manifestantes e dos 72 PMs que estavam lá dentro. A partir daquele momento, consideramos que havia uma ameaça iminente aos PMs, e o Choque foi acionado. Dependendo das decisões tomadas na segunda-feira, hoje estaríamos aqui lamentando vidas, e não apenas bens materiais".

O oficial afirmou que o momento exato de enviar o Choque foi decidido pelo comandante-geral da PM, coronel Erir Costa Filho, que recebia informações do comandante do 5º Batalhão, Sidnei Camargo, que estava no interior da Alerj. Imagens geradas por câmeras acopladas ao helicóptero da PM e por agentes do Serviço de Inteligência da corporação também auxiliaram a tomada de decisão.

Perguntado se o governador Sérgio Cabral (PMDB) ou o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, entraram em contato com o comandante da PM para interferir no processo de decisão, Caldas tergiversou. "O comandante (da PM) se reporta a eles. Mas não vou colocar aqui as posições do secretário e do governador, até porque não as sei".

Procurados nesta terça-feira, Cabral e Beltrame não quiseram se manifestar sobre o episódio na Alerj.

Dois coronéis da PM ouvidos pelo Grupo Estado sob a condição de anonimato avaliam que houve, sim, interferência política na demora da ação do Choque na Alerj. "Não tem como 100 mil pessoas se juntarem na Rio Branco e as tropas especializadas não estarem mobilizadas de forma preventiva. A PM não pode dizer que foi pega de surpresa para justificar a demora da chegada do Choque. E se os manifestantes matassem os PMs e os funcionários da Alerj que ficaram encurralados? Não posso aceitar que coronéis da PM com 30 anos de experiência tenham feito esse planejamento por incompetência. Houve uma ordem política para deixar as coisas acontecerem, e depois chamar os envolvidos de vândalos", disse um coronel.

Mais conteúdo sobre:
protestosRioPMbalanço

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.