PM do Rio vende quartel de 1740

Mas transação com Petrobrás ainda depende que o Estado entregue o terreno sem prédios

Marcelo Gomes e Sergio Torres - O Estado de S. Paulo,

22 Maio 2012 | 19h23

RIO DE JANEIRO - A Petrobrás confirmou nesta terça-feira, 22, que formalizou a intenção de compra da área de 13,5 mil m² do Quartel-General da Polícia Militar do Estado do Rio, na Rua Evaristo da Veiga, área nobre do centro da capital. A compra, no valor de R$ 336 milhões, será a maior transação imobiliária na cidade nos últimos anos. Mas dois projetos de lei - na Assembleia Legislativa e na Câmara de Vereadores -, que pedem o tombamento do local, preocupam a estatal. O início da construção dos prédios data de 1740.

Antes de acertar a compra, a Petrobrás exige que o Estado entregue o terreno sem os prédios, para que seja minimizado o risco de embargos judiciais posteriores à conclusão do negócio.

As negociações estão sendo feitas pelo diretor de Assuntos Corporativos da Petrobrás, José Eduardo Dutra, ex-senador, ex-presidente nacional do PT e ex-presidente da própria Petrobrás. O diretor financeiro e de Relações com Investidores, Almir Guilherme Barbassa, disse que a negociação não "está concluída, está em finalização".

Se a compra ocorrer, Barbassa disse que a Petrobrás construirá "mais um prédio para uso próprio", já que, no Rio, seus empregados estão distribuídos em cerca de 15 prédios e concentrá-los na área central é interessante.

Votação. Após o anúncio da negociação, o vereador Carlo Caiado (DEM) e o deputado estadual Paulo Ramos (PDT), autores respectivamente de projetos de tombamento na Câmara e na Assembleia, acertaram a votação dos textos para a próxima semana. "Fui surpreendido antes do cumprimento do acordo. Então vamos votar o projeto antes da concretização do negócio", disse Caiado.

O governo Sérgio Cabral também pretende vender os terrenos de outros três batalhões da PM na cidade: Leblon e Botafogo, na zona sul; e Tijuca, na zona norte. Parte do terreno de 5,8 mil m² do 23º BPM (Leblon) será usado, até 2016, como canteiro de obras da Linha 4 do metrô, que vai ligar Ipanema à Barra da Tijuca. Só depois das obras será decidido seu destino.

Em nota, a Secretaria Estadual de Segurança informou que a venda do QG "é apenas o primeiro passo de um amplo projeto de reestruturação dos batalhões e da sede administrativa da PM". "O objetivo do projeto é dotar a Polícia Militar de instalações modernas e mais adequadas a seu trabalho." Ainda segundo a Secretaria, "os recursos das vendas serão inteiramente usados na área de segurança pública".

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