PM expulsa acusados de matar menor a choques em SP

Defesa do cabo e dos quatro soldados que perderam o emprego pelo crime em Bauru vão recorrer

Jair Aceituno, O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2008 | 14h28

O cabo Gerson Gonzaga e os soldados Emerson Ferreira, Juliano Arcângelo Bonini, Ricardo Ottaviani e Maurício Delasta, acusados de torturar com choques elétricos e matar o menor Carlos Rodrigues Junior, de 15 anos, no seu quarto em Bauru, foram expulsos da Polícia Militar. O ato foi publicado no "Diário Oficial" de quinta-feira, 18, e levou o comando do 4.º Batalhão da PM do Interior, onde serviam, recolher suas armas e identidade funcional e dispensá-los do serviço.   Segundo conclusão do comando da PM, os cinco praticaram "atos contra as instituições, ao Estado e aos direitos humanos, além de serem desonrosos, incompatíveis com a função e consideradas transgressões disciplinares graves". O outro policial envolvido no caso - tenente Roger Marcel Vitiver de Souza - teve sua atitude também considerada incompatível com as normas da PM, foi colocado na inatividade com o salário reduzido a um terço e não pode utilizar a farda. Sua exclusão ainda é discutida.   Os advogados dos expulsos disseram nesta sexta-feira, 19, que vão recorrer da punição, pois entendem haverem vícios processuais. Além da sindicância da PM, os seis envolvidos também a processo na 1ª Vara Criminal de Bauru, que poderá levá-los a júri.   O menor foi morto na madrugada de 16 de dezembro do ano passado, quando os policiais encontraram, no quintal de sua casa, a moto roubada de um mototaxista. Cinco deles entraram no quarto e aplicaram-lhe choques elétricos na tentativa de obter sua confissão e outras informações sobre o roubo. Enquanto o grupo torturava a vítima, sua mãe e a irmã eram vigiadas na sala pelo outro policial envolvido. Depois de sofrer parada cardíaca, o menor foi levado ao pronto-socorro, mas já chegou morto.   O fato revoltou a população, que promoveu manifestação e quebra-quebra no bairro onde a família morava. Segundo o Instituto Médico Legal (IML), haviam 30 marcas de choque pelo corpo do morto. A morte de Carlos Rodrigues teve tanta repercussão, que o governador José Serra mandou pagar indenização à família mesmo antes de exigência judicial.

Mais conteúdo sobre:
violência tortura PM Bauru SP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.