PM fará segurança em 90 escolas estaduais do Rio

Os 400 policiais atuarão principalmente na porta e no entorno das unidades

Luciana Nunes Leal, Agência Estado

02 Maio 2012 | 17h30

RIO - Noventa escolas estaduais, 37 delas na capital, terão segurança feita por policiais militares armados que trabalharão no horário de folga do serviço regular. Os 400 PMs atuarão principalmente na porta e no entorno, mas poderão também entrar nas escolas, em caso de ocorrências graves, desde que haja um pedido da direção.

Coordenador do Programa Estadual de Integração da Segurança (Proeis), o coronel Odair de Almeida Lopes Júnior disse nesta quarta-feira, 2, durante a assinatura do convênio entre as secretarias de Segurança e de Educação do Estado, que revistas de alunos só acontecerão "mediante solicitação bem fundamentada do diretor da escola e na presença dele".

"Revista não é nossa prioridade. Só acontecerá em situação extrema", afirmou o oficial. Segundo o PM, os policiais tentarão coibir o aliciamento de alunos e a venda de drogas nas proximidades das escolas e poderão agir também em casos de bullying, além de organizar o trânsito. Durante a noite, trabalharão na vigilância para evitar invasão e roubo.

O coronel justificou o uso de armas pelos policiais: "O policial fardado e desarmado não é policial militar. A polícia não vai às escolas para constranger, mas para levar segurança." Segundo o coordenador, as escolas começaram a receber os PMs, em caráter experimental.

"Começamos com o projeto piloto e vamos ver os ajustes necessários", afirmou o secretário de Educação, Wilson Risolia. Nas 90 escolas incluídas nesta primeira fase do projeto, estudam 115.490 alunos e trabalham 6.279 professores. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame informou que, na semana que vem, os PMs passarão por três dias de treinamento, que terá como foco principal o trato com crianças e adolescentes. Segundo Beltrame, com um segundo trabalho oficializado na hora de folga, a tendência será de diminuir os "bicos", em que os PMs trabalham ilegalmente como seguranças, sem qualquer garantia trabalhista e "totalmente desamparados".

Escolhida para discursar em nome dos alunos, Aimée Pereira, de 17 anos, disse que espera, com os colegas, ter "uma visão diferenciada dos policiais" e lembrou a tragédia da escola municipal em Realengo (zona oeste) onde um ex-aluno assassinou 12 adolescentes, em abril do ano passado. "Não temos que temer os policiais, temos que temer os bandidos. Esperamos que situações como Realengo não aconteçam de novo", disse Aimée.

O governador Sérgio Cabral afirmou, em discurso, que "as 90 escolas vão ganhar outro nível de valor, os pais, os alunos e os professores terão outro nível de tranquilidade". Os policiais receberão R$ 200 por turno de oito horas trabalhado nas escolas, durante a folga, com limite de 12 turnos por mês. No caso dos praças, o pagamento será de R$ 150 por turno.

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