PM impede invasão de traficantes a morros do Rio

Foram apreendidos dois fuzis, uma metralhadora, uma pistola e quatro granadas de efeito moral

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2008 | 19h08

Uma operação com 60 homens da Polícia Militar impediu nesta quarta-feira, 7, uma invasão de traficantes do Morro da Serrinha, em Madureira, na zona norte, ao Morro Chapéu Mangueira, no Leme, zona sul, mas provocou a fuga dos criminosos armados com fuzis e pistolas para a Praia do Leme onde dois deles foram presos em fuga e desarmados. A perseguição, que contou com um helicóptero, chocou os moradores que viram à luz do dia três homens armados seqüestrarem o motorista de uma van para fugir.   Durante o tiroteio travado entre policiais e traficantes, uma bala perdida atingiu o quarto de um adolescente em um prédio de classe média a mais de 300 metros do acesso à favela. O menino estava na escola e ninguém ficou ferido.   De acordo com o comandante do 19º Batalhão de Polícia Militar de Copacabana, o tenente-coronel Edson Freitas, a ação era uma "operação de rotina". "Por volta das 10 horas, fomos ao local checar uma denúncia de tráfico e mais de 10 homens escondidos nas matas da parte alta do morro nos receberam a tiros. Respondemos e eles fugiram", disse Freitas.   De acordo com moradores, pelo menos oito homens desceram o morro, entraram em uma construção abandonada e depois invadiram pelos fundos o prédio da operadora de telefonia Oi. Para sair do prédio, eles quebraram uma janela no térreo e pularam para a Rua Roberto Dias Lopes. Um deles se feriu nos estilhaços e deixou um rastro de sangue.   Em seguida, três criminosos renderam e seqüestraram o motorista de uma van e fugiram para o Morro da Serrinha. O motorista foi liberado e identificou os criminosos na 12ª Delegacia de Polícia de Copacabana. Outros cinco traficantes fugiram em direção praia.   "Dois deles tiraram as bermudas e jogaram no mar para despistar os policiais que patrulham as areias com quadriciclos, mas estavam arranhados e machucados. Foram abordados ,confessaram que eram do bando e foram presos", disse o comandante do 19º BPM. Douglas Fernandes Ferreira, de 21 anos, e Thiago da Silva Fidélis, 22, foram autuados por associação para o tráfico. Os dois também moram no Morro da Serrinha.   Após a fuga os policiais apreenderam nas matas do morro dois fuzis, uma metralhadora, uma pistola, quatro granadas de efeito moral, carregadores, munição e pequena quantidade de drogas. "Moro há anos no Leme e nunca tinha visto marginais armados tão perto. Um deles gritava que havia sido baleado", disse o morador de 74 anos, que abalado preferiu não se identificar.   Tiroteios assustam os moradores e turistas do bairro vizinho à Copacabana há quase um mês. Trata-se da disputa entre as quadrilhas do Comando Vermelho, que ainda domina o alto da favela, e os invasores do Morro da Serrinha, ligados ao Terceiro Comando,o pelo controle das bocas-de-fumo.   O ex-presidente de Associação dos Moradores do Chapéu Mangueira, Gibeon de Brito Silva reclamou das autoridades e confirmou a invasão. "Se a polícia quisesse acabar como tráfico aqui, eles acabavam. Esta situação é inadmissível, porque aqui não tem morador no tráfico. Nós fomos invadidos, porque a ocupação social prometida nunca foi feita", apontou o líder comunitário.   Os confrontos acontecem no alto do morro, mas há alguns dias o jornal carioca O Dia flagrou traficantes armados com fuzis, pistolas e metralhadoras nos acessos que ficam a poucos metros das ruas residenciais. O presidente da Associação dos Moradores do Leme, Francisco Nunes, disse que no asfalto os moradores vivem em "estado de sítio". "Em maio do ano passado aconteceu a mesma coisa. Alguma coisa foi feita?" questionou Nunes.   Ontem, o tiroteio no morro quase fez uma vítima no asfalto. "Minha mãe ligou para o meu consultório e avisou que estava acontecendo um tiroteio e que ela e a empregada estavam escondidas na sala. Ela foi ao quarto do meu filho fechar a porta. Ao voltar para sala, ouviu um barulho. Quando voltou para o quarto viu o buraco de bala no vidro e estilhaços. Com 76 anos, entrou em choque e só repetia que queria sair daqui", contou a dentista A.C., de 44 anos, inquilina do apartamento atingido pela bala perdida.   Há apenas um mês morando no local, ela pensa em blindar as janelas como, segundo ela, fizeram vários vizinhos. O imóvel de classe média onde ela paga R$ 1.100 de aluguel fica na Rua Gustavo Sampaio, onde a taxa anual de IPTU é de R$ 1.500. Na semana passada, o prédio vizinho ao dela foi alvejado.

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