PM reage na Bahia e ato acaba em batalha campal

Em Salvador, a manifestação do Movimento Passe Livre reuniu cerca de 20 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, e deixou um longo rastro de destruição, após mais de duas horas de confrontos entre manifestantes e policiais militares da Bahia, auxiliados por integrantes da Força Nacional de Segurança.

TIAGO DÉCIMO, Agência Estado

21 de junho de 2013 | 08h06

A passeata, porém, começou em clima de festa. Os manifestantes, reunidos na Praça do Campo Grande, local marcado para a concentração, juntavam-se em grupos e cantavam músicas conhecidas, como sucessos da banda Legião Urbana. Músicos conhecidos no Estado, como o cantor Saulo Fernandes e a cantora Alinne Rosa, integravam o grupo. Entre conversas e risos, as pessoas usavam apenas cartazes para protestar.

A caminhada partiu, sentido Arena Fonte Nova - que receberia a partida entre Uruguai e Nigéria às 19 horas - às 15h30. Gritando palavras de ordem, os manifestantes seguiam em clima tranquilo pelo Vale dos Barris, sentido Dique do Tororó, ao lado do estádio, e pela Avenida Joana Angélica, que tem acesso direto ao estádio.

Não tardou para chegarem às barreiras policiais que marcavam o perímetro de segurança ao redor do estádio. Às 16h15, em uma delas, nas proximidades do Colégio Central, um dos mais conhecidos da cidade, na Avenida Joana Angélica, os manifestantes chegaram a fazer apelos de não-violência. Dois deles, porém, tentaram furar o bloqueio.

A Tropa de Choque, posicionada logo atrás da barreira, reagiu de imediato, lançando várias bombas de gás lacrimogênio na direção dos manifestantes, que reagiram atirando pedras portuguesas, retiradas das calçadas, e fogos de artifício na direção dos policiais. Foi o início de um longo confronto, que se espalhou pela região central de Salvador e só foi controlado por volta das 20 horas.

O saldo do conflito foi um cenário de muita destruição na região. Pelo menos três lojas da Avenida 7 de Setembro e arredores, tradicional ponto de comércio popular da cidade, tiveram as fachadas de vidro quebradas - pelo menos uma delas, de óculos, foi saqueada -, dois ônibus do transporte público e um carro de passeio foram pichados e incendiados e dois micro-ônibus que seriam usados pela comitiva da Fifa, que está hospedada em um hotel localizado na Praça do Campo Grande, para ir ao estádio foram apedrejados.

Banheiros químicos instalados na região foram tombados e transformados em barricadas contra o acesso dos policiais. Pontos de ônibus foram depredados. Ao longo dos trajetos dos conflitos, ainda havia muitos focos de fogo depois dos confrontos - os manifestantes fizeram fogueiras com os materiais que encontravam no caminho para tentar atrapalhar a ação policial.

Dezenas de bombas e de tiros de bala de borracha foram disparados pelos policiais, mas até a noite não havia um saldo oficial de feridos no confronto. A reportagem flagrou uma mulher e um homem sendo atendidos por ambulâncias do Samu, além de um policial com sangramento no rosto. Não há registro de prisões.

Em nota, a PM repudiou os "atos de vandalismo" de parte dos manifestantes e disse ter agido de acordo com "a necessidade de garantir a proteção das pessoas e do patrimônio público e privado". "A PM ratifica que as ações desenvolvidas estão em consonância com os padrões técnicos e legais do uso progressivo da força", diz o texto.

Também em nota, o prefeito ACM Neto (DEM) qualificou como "lamentável" a "ação dos radicais", que "tentaram manchar a grandiosidade e a nobreza dos protestos ocorridos na cidade". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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