PM revê procedimentos após morte de publicitário em SP

Polícita estuda novas formas de abordagem de carros; comandante diz que falta treinamento específico

AE, Agência Estado

21 de julho de 2012 | 11h03

A abordagem frontal de carros suspeitos não fazia parte, até ontem, do conjunto de situações práticas treinadas pela Polícia Militar de São Paulo. Só agora, após a morte do publicitário Ricardo Prudente de Aquino, de 39 anos, baleado por PMs que o abordaram de frente, na noite de quarta-feira, no Alto de Pinheiros, zona oeste, esse tipo de situação está sendo estudada e será treinada por todos os batalhões da Região Metropolitana.

Oito policiais passaram a tarde de sexta-feira simulando formas corretas de ação em carros como o do publicitário, com a viatura da polícia abordando o carro suspeito pela frente. O treino foi no Quartel General da PM, no Bom Retiro, região central. Policiais que participaram da encenação chegaram a usar um escudo da Força Tática para se aproximar do suspeito. Outro policial, sem farda, manteve um celular na mão o tempo todo - policiais que atiraram no publicitário disseram ter confundido celular com arma.

O homem foi convencido a sair do veículo. Depois, foi imobilizado e revistado, assim como o carro. O procedimento foi todo gravado e será repassado para todos os batalhões da cidade.

O coronel Marcos Roberto Chaves, comandante do Comando de Policiamento da Capital, diz que o procedimento esperado dos policiais quando param um carro suspeito é estacionar a viatura atrás do carro. Se a viatura fechar o carro suspeito, tendo de fazer uma abordagem frontal, o treinamento determina que os PMs esperem a chegada de outra viatura por trás. A abordagem seria feita por este outro carro.

"Por incrível que pareça, a abordagem pela frente até acontece, já aconteceu. Mas foi em circunstância que o agressor não fugiu", disse ele, ao justificar a falta de modelos de ação para a abordagem de frente. "Nesse caso em particular (de Pinheiros), por qualquer motivo, a abordagem foi feita ao contrário. Então gera um estresse, porque ele (o PM) está de frente para o agressor e não sabe do que se trata - porque, se (o suspeito) fugiu, tem algum motivo para isso. E, nesse momento, o policial tem de saber qual é a melhor técnica de abordagem sem que tenha de fazer uso da arma."

O coronel disse acreditar que a falta desse treinamento específico, o fato de estar de noite e de as luzes do carro de Aquino atrapalharem a visão dos policiais contribuíram para o desfecho trágico. "Tudo isso influenciou. Quando o policial está sob adrenalina, embora ele seja muito treinado, pode ficar em uma situação em que não sabe o que fazer. E ele não pode improvisar, tem de agir sob as técnicas." Por isso, disse ele, será feito esse novo treinamento. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.