PMDB cobra ação de Lula para aliança com PT nos Estados

Dificuldade para montagem de palanques está principalmente em MG e RJ, mas BA, PA, MS, PR e CE também apresentam amarras para a parceria

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2009 | 00h00

No primeiro encontro dos dois principais partidos da base aliada após a eleição que renovou a cúpula petista, dirigentes do PMDB cobraram do PT a intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para acertar os palanques nos Estados. A principal queixa foi em relação a Minas, segundo maior colégio eleitoral do País, onde a corrente majoritária do PT rachou e tem dois pré-candidatos à sucessão do governador Aécio Neves (PSDB) desafiando o ministro das Comunicações, Hélio Costa, postulante do PMDB.

O outro nó difícil de desamarrar para a parceria sair do papel está no Rio. Lá, o governador Sérgio Cabral (PMDB) exige apoio à sua reeleição para entrar na campanha de Dilma ao Palácio do Planalto, mas fatia considerável do PT quer no páreo o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. Há percalços também para a montagem de chapas em mais cinco Estados: Bahia, Pará, Mato Grosso do Sul, Paraná e Ceará.

"A partir de agora vamos fazer política 24 horas por dia para resolver esses impasses", afirmou o presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, que venceu a disputa interna no primeiro turno, com 58% dos votos. Na lista dos casos considerados "perdidos" para a aliança estão Estados importantes, como São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Pernambuco.

Para o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), Lula e Dilma precisam arbitrar o conflito com o PT, principalmente em Minas, para inibir o assédio de Aécio à ala peemedebista simpática aos tucanos. "Não dá para o PMDB chegar dividido à convenção que decidirá quem vamos apoiar, em junho. Minas tem 69 votos desse encontro e requer atenção especial. Lá a gente não pode bobear nem convém deixar margem para insatisfação", disse Alves.

Pelos cálculos do PMDB, os insatisfeitos e adversários tradicionais dos petistas somam 410 dos 805 votos de convencionais que vão às urnas para decidir se querem se aliar ao PT ou deixar o partido "solto" na corrida presidencial, para que cada Estado faça a dobradinha que quiser.

O governo também teme que a luta fratricida no PT mineiro lance estilhaços sobre a campanha de Dilma. De um lado está o deputado Reginaldo Lopes - que concorre à reeleição na seção estadual do partido e apoia o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, para a cadeira de Aécio. De outro, o secretário de Comunicação do PT, Gleber Naime, que vai enfrentar Lopes no segundo turno do embate petista e prega a candidatura do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. Todos integram a corrente Construindo um Novo Brasil, grupo de Lula no mosaico ideológico do petismo.

Pré-candidato do PMDB, Hélio Costa compareceu à reunião de ontem com dirigentes do PT e reclamou do grupo de Pimentel. Disse que o ex-prefeito está trabalhando contra ele em seu próprio partido e voltou a propor que o critério para escolha do candidato ao Palácio da Liberdade sejam as pesquisas.

INTERFERÊNCIA

Pimentel nega a interferência no PMDB contra Costa, mas diz que o PT mineiro terá a cabeça da chapa. "A candidatura de Dilma depende muito de um palanque claramente identificado com o PT e com Lula", argumentou. Na outra ponta, Patrus afirma que não abre mão de disputar prévia contra Pimentel.

Em conversas reservadas, Dilma defende o ex-prefeito, um dos coordenadores de sua campanha. O cenário ideal para o Planalto é ter Costa concorrendo ao Senado.

No Rio, Lula pretende convencer Lindberg a desistir de sua candidatura para avalizar Cabral. "O PMDB tem razão: Lula ou Dilma terão de entrar nessa história, senão nada será resolvido", admitiu o presidente do PT fluminense, Alberto Cantalice. O grupo de Lindberg e do deputado Luiz Sérgio se engalfinham pelo controle do PT do Rio, num confronto que, a exemplo de Minas, só terá desfecho no segundo turno, em 6 de dezembro. Mas a briga promete ser longa: a cúpula do PT alega que a palavra final sobre política de alianças cabe ao 4º congresso do partido, em fevereiro de 2010.

COLABOROU CHRISTIANE SAMARCO

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