PMDB mira base para aliança com Dilma vingar

Em Estados com grande peso na convenção há problemas com PT

Luciana Nunes Leal, RIO, O Estadao de S.Paulo

24 de outubro de 2009 | 00h00

Concluída a ação da cúpula do PMDB, que conseguiu fechar a aliança com o PT e garantir a vaga de vice na chapa da ministra Dilma Rousseff, começa agora o trabalho para convencer "as bases" e aprovar a coligação na convenção nacional, em junho do ano que vem. Embora os peemedebistas pró-Dilma garantam que terão maioria para formalizar o acordo, em alguns Estados com grande peso na convenção ainda há problemas a resolver entre PT e PMDB.

Um dos responsáveis pela matemática partidária, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) calcula que, se a convenção fosse hoje, a coligação seria aprovada com cerca de dois terços dos 811 votos, mas reconhece que será preciso "trabalhar" alguns Estados problemáticos. A começar por Minas, que tem o segundo maior número de votos (69). Petistas e peemedebistas mineiros insistem em lançar candidato próprio ao governo do Estado.

"Temos grande chances de sucesso na aprovação da aliança. O problema mais grave é Minas. Lá o clima entre PT e PMDB é de guerra. Também temos de resolver a situação no Ceará e no Pará", diz Cunha. "Há os Estados que são majoritariamente contra a aliança, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Em São Paulo, acredito que a divisão será meio a meio."

No PMDB paulista, haverá uma queda de braço entre os partidários do presidente da Câmara, Michel Temer, provável vice de Dilma, e do presidente regional do partido, ex-governador Orestes Quércia, que apoia a candidatura do tucano José Serra à Presidência.

O presidente do PMDB de Santa Catarina, ex-governador e pré-candidato ao governo Eduardo Moreira, aliado do PSDB, diz que o acordo firmado esta semana "atende a cúpula do partido, mas não os parlamentares e os Estados". "Neste momento, no PMDB há mais votos a favor da aliança com o PT, mas não continuará assim no ano que vem. Há uma insatisfação com a forma como a aliança foi resolvida", afirma. Os convencionais de Santa Catarina votarão contra a aliança com Dilma, segundo Moreira. "Hoje nossa tendência é muito mais pró-Serra."

No Rio de Janeiro, os peemedebistas esperam a desistência do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, do PT, do plano de disputar o governo com Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição. Eduardo Cunha afirma, no entanto, que a maioria de votos a favor da aliança com o PT está garantida. "O Rio não é um problema para a disputa nacional", assegura.

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