PMs serão levados a júri popular por crime em MG

Os soldados Jason Ferreira Paschoalino e Jonas David Rosa, da Polícia Militar mineira, vão ser levados a júri popular pelos assassinatos de tio e sobrinho no Aglomerado do Cafezal, na região centro-sul de Belo Horizonte. Após as mortes, os militares afirmaram que as vítimas teriam aberto fogo contra a guarnição, mas a Polícia Civil constatou que a versão era uma farsa.

MARCELO PORTELA, Agência Estado

13 Outubro 2011 | 14h21

As mortes levaram a comunidade a fazer uma série de protestos, inclusive com incêndios em vários ônibus, e a confrontos com as forças de segurança do Estado, que tentaram ocupar a favela para impedir as manifestações. O crime ocorreu em 19 de fevereiro. Na ocasião, os militares alegaram que o auxiliar de enfermagem Renilson Veriano da Silva, de 39 anos, e seu sobrinho, o dançarino Jeferson Coelho da Silva, de 17, estavam com um grupo de traficantes que, usando fardas da PM, atirou nos policiais, que reagiram.

No local, foram apreendidos dois revólveres com numeração raspadas, além dos uniformes da Polícia Militar. As investigações do caso revelaram que a cena foi forjada e a Justiça decretou a prisão de Rosa e Pachoalino, além de outro soldado e um cabo da PM. Na instrução do processo, os advogados dos réus mantiveram a alegação de "legítima defesa", mas o juiz Guilherme Queiroz Lacerda, sumariante do I Tribunal do Júri do Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, concordou com a denúncia do Ministério Público, para quem as vítimas foram executadas "sem qualquer razão útil ou necessária".

O magistrado determinou que os policiais sejam levados a júri e que aguardem o julgamento presos "sem qualquer tipo de regalia", porque, segundo o juiz, a liberdade dos acusados representaria "inequívoco e justificado temor para as testemunhas" do processo. O julgamento ainda não tem data para ocorrer.

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