Pode me chamar de ecossincero

Queira me desculpar, mas vou ser franco com você. O consumo consciente é mais complexo do que se imagina. Não basta usar ecobags e optar por materiais recicláveis e ingredientes orgânicos. Então, vai dar um pouquinho mais de trabalho do que comprar os produtos ao lado. É preciso comprar com envolvimento. Comprar menos. Comprar bem. Uma pesquisa feita no ano passado pelos Institutos Akatu e Ethos revela que apenas 5% dos brasileiros praticam o consumo responsável. E é preciso lembrar que o poder de compra do brasileiro cresceu muito na última década - cerca de 30%, já descontada a inflação. Em 2009, a classe C já representava 50,5% da população. Ou seja, 29 milhões de pessoas comprando mais. Segundo a Organização das Nações Unidas, desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir as suas. Então, é preciso pensar nos processos de produção, da agricultura à indústria. Nas relações comerciais das matérias-primas e dos produtos derivados. Na utilização de substâncias químicas tóxicas e/ou poluentes. No uso de materiais recicláveis, reutilizáveis e biodegradáveis. Na preservação do ambiente. No respeito aos animais. Na qualidade de vida das comunidades locais. No consumo de energia e água. E, ah, na redução do lixo. Podem me chamar de ecochato, mas eu sou apenas ecossincero. É que tudo tem mais de um preço. Eu não quero deixar você se sentindo culpado. Quero deixá-lo apenas mais esperto. Q

, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2011 | 00h00

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