Polêmica sobre aquecimento global chega à Corte dos EUA

A discussão sobre os efeitos do aquecimento global no clima da Terra põe frente a frente o governo dos Estados Unidos e grupos ambientalistas, numa batalha política que esta semana, pela primeira vez na história do país, chegou à Corte Suprema, que deverá se pronunciar sobre o caso no próximo ano.Dez Estados, liderados por Massachusetts, Califórnia e Nova York, com o apoio de ONGs, argumentaram diante dos juízes que os gases doefeito estufa são poluentes, causam o aquecimento global e criamproblemas para a saúde da população. Portanto, devem ser controlados pela Agência de Proteção Ambiental (EPA).A Califórnia, o Estado economicamente mais importante do país, jápediu à EPA que aprove um programa promovido por seu governador,Arnold Schwarzenegger, para limitar as emissões de gases.Do outro lado, além da EPA, estão outros Estados, associações deempresas de comércio de veículos e companhias de serviços públicos.Eles defendem a tese da administração do presidente George W. Bush,de que o órgão não tem capacidade para regulamentar as emissões.Segundo o advogado Gregory Garre, que defende a posição do governo, não se pode afirmar com certeza científica que os gases do efeitoestufa sejam a causa do aquecimento global. Ele também alertou para o impacto econômico nos EUA, onde 85% da economia estão vinculados à emissão desses gases.Muitos cientistas acham que os gases, principalmente o dióxido decarbono, emitidos por motores que usam combustíveis fósseis, vêmprovocando uma mudança climática nas últimas décadas. O resultado éuma elevação nas temperaturas médias em todo o planeta, assim como o aumento dos incêndios florestais e o degelo acelerado na Groenlândia e na Antártida, apontam.James Milkey, advogado dos litigantes, e ex-promotor adjunto deMassachusetts, disse à Corte Suprema que os efeitos da mudançaclimática são nítidos no seu estado. O aquecimento global estáproduzindo um aumento no nível dos mares e "Massachussets estáperdendo mais de 300 quilômetros de costa", afirmou.Milkey acrescentou que mesmo que a redução dos gases sejapequena, seria importante porque um pequeno aumento no nível dosmares inundaria grandes extensões de terras litorâneas no mundotodo. A sentença ainda vai demorar. Mas a divisão é nítida nas posições liberais e conservadoras sugeridas pela maioria dos nove integrantes do tribunal.O juiz Samuel Alito, ao lado do presidente da Corte, JohnRoberts, lidera o grupo conservador. Cético, ele afirmou que, se for aplicada a medida exigida pelos litigantes, na melhor das hipóteses a redução dos gases do efeito estufa seria relativamente pequena. "Depende do que vai acontecer no mundo todo", afirmou Roberts. Ele acrescentou que uma redução por parte dos EUA seria superada pelo aumento na China.A posição dos ambientalistas, porém, tem o apoio do juiz DavidSouter, que considera a medida de grande utilidade. "Não é preciso demonstrar que o aquecimento global vai parar. O importante é reduzir o ritmo desse aquecimento e provavelmente o grau dos danos", opinou.A decisão final pode estar nas mãos do juiz Anthony Kennedy,segundo os advogados dos dois lados. "Com toda a certeza, todos osolhares estão voltados para ele", comentou Ann Klee, ex-conselheirada EPA.

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