Polícia acredita que atirador de escola agiu sozinho

O atirador e ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira será apontado como único responsável pelos 12 homicídios e pelo menos 12 tentativas de assassinato na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro.

PEDRO DANTAS, Agência Estado

11 de abril de 2011 | 18h59

A Divisão de Homicídios (DH) do Rio está em fase de conclusão do inquérito do massacre, ocorrido na manhã da última quinta-feira. Os depoimentos, a perícia, a análise de imagens e o laudo de um psicólogo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) apontam que a chacina foi planejada por Wellington, que sofria de esquizofrenia.

As atividades do atirador na internet são investigadas pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática e podem virar inquérito, caso fique comprovado que alguém ajudou ou estimulou Wellington a cometer a matança. A investigação sobre a origem das armas usadas no massacre - dois revólveres calibres 32 e 38 - foi encaminhada para a Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos (Drae).

A delegacia especializada terá como tarefa identificar um homem chamado Robson, que teria vendido as armas aos intermediários, Charleston Souza de Lucena, de 38 anos, e Isaías de Souza, de 48 anos, presos na sexta-feira passada. De acordo com as primeiras investigações, logo após a venda das armas, Robson foi sequestrado por milicianos da zona oeste do Rio e está desaparecido. Os dois intermediários receberam R$ 30 cada um e Robson teria ficado com R$ 200 da transação.

A polícia encontrou alguns manuscritos de Wellington na última casa em que ele morou, em Sepetiba (zona oeste do Rio). Após a análise do material e a comparação com depoimentos de parentes e conhecidos do assassino, os investigadores concluíram que os encontros narrados em uma espécie de diário do atirador são fantasiosos. Wellington escreve que teria encontrado homens identificados como "Abdul" e "Phillip", que o teriam recebido em um "grupo". Em outra folha, o atirador conta que brigou com "Abdul" e fala sobre supostos planos de um atentado na Malásia.

Os investigadores foram enfáticos em afirmar que o diário do rapaz não será alvo de investigação, pois nada aponta que ele estaria ligado a qualquer tipo de grupo religioso ou político extremista antes do massacre.

Um suposto treinamento militar de Wellington para cometer os crimes também está praticamente descartado. Após análise das imagens e da forma como o assassino recarregava as armas, os peritos também descartaram que ele tenha tido lições de tiro. Uma troca de e-mails chegou a indicar que o matador fez um levantamento de preço de aulas para prática de tiro com um instrutor credenciado pela Polícia Federal. No entanto, quando o profissional exigiu documentos do atirador, o criminoso desistiu da ideia.

Em 30 dias, a Divisão de Homicídios deve receber um laudo do ICCE que deve apontar que o massacre foi decorrente do distúrbio mental (esquizofrenia) sofrido pelo atirador. Para a polícia, os ataques (bullying) sofridos por Wellington no colégio, relatados em depoimentos de ex-colegas e parentes, contribuíram para que ele escolhesse a escola Tasso da Silveira como alvo da ação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.