Polícia austríaca diz não ter indícios de cúmplice de Fritzl

Dados do caso de pai que manteve filha presa por 24 anos levantaram suspeitas.

Luis Fernando Ramos, BBC

01 de maio de 2008 | 09h55

A polícia austríaca disse não ter indícios de que Josef Fritzl, que admitiu manter a filha em cativeiro por 24 anos, tivesse tido um cúmplice, apesar das fortes suspeitas de que ele não teria agido sozinho.As suspeitas foram levantadas pelo conhecimento de fatos como o de que Fritzl passava regularmente algumas semanas por ano de férias na Tailândia. Nesses períodos ele não poderia ter fornecido alimentos para a família que mantinha no porão. Mas a polícia disse que a alimentação era garantida durante essas semanas graças a existência de aparelhos adequados no cativeiro. "Havia uma geladeira, um freezer e uma máquina de lavar roupas. Ele também nos disse em depoimento que havia um comando eletrônico na porta que permitiria que ela fosse aberta, com a ajuda de ferramentas que havia dentro do cativeiro, caso acontecesse algo com ele. Nossos peritos estão estudando se isto é verdadeiro", disse o chefe de polícia da Áustria Baixa, Franz Polzer.Outro fato que levantou suspeitas da existência de um cúmplice foi a forma como a polícia acabou chegando a Fritzl: através de uma denúncia anônima, feita por alguém que parecia estar informado sobre o caso. A polícia tinha feito um apelo na imprensa por informações sobre o paradeiro da mãe de Kerstin, de 19 anos, que estava internada em coma em um hospital. Os médicos queriam detalhes sobre o histórico da filha e acreditavam que estes poderiam ser fornecidos pela mãe. Até este momento, a polícia suspeitava que Elisabeth, a mãe, estaria pertencendo a uma seita - segundo a versão divulgada pelo pai, Josef. Quando Elisabeth chegou ao hospital no sábado passado, acompanhada do pai, foi detida pela polícia, que queria interrogá-la pelo fato de ter abandonado três filhos. Foi depois do depoimento de Elisabeth que a policia resolveu prender o pai, Josef.A polícia tinha sido avisada de que Elisabeth estava a caminho do hospital no sábado por meio de uma denúncia anônima. As autoridades disseram que conhecem a identidade do informante, mas que não estão tratando essa pessoa como suspeita."Saber da existência de um crime não é a mesma coisa que ser cúmplice. O informante pediu para permanecer anônimo e respeitaremos isto", disse Polzer.FocoNo início desta quinta-feira, o foco do interesse da imprensa internacional se transferiu da casa de Josef Fritzl para a clínica psiquiátrica Amstetten-Mauer, onde os outros membros da família estão sendo mantidos. Eles ocupam uma área reservada no local, sem contato com outros pacientes. O chefe da clínica, Berthold Kepplinger, disse que mãe e filha estão se entendendo muito bem e que o estado de saúde de Elisabeth e de dois dos três filhos que viviam com ela no cativeiro é "relativamente bom". A filha mais velha, Kerstin Fritzl, continua internada em coma.A cunhada de Josef Fritzl, Christine R., confirmou em entrevista ao jornal Österreich que o acusado foi preso em 1967 por um crime de estupro ocorrido na cidade de Linz. "Eu tinha 16 anos e achei o delito simplesmente nojento. Nesta época, ele já tinha quatro filhos com minha irmã", afirmou Christine.O governo austríaco pretende agora mudar a lei sobre o tempo em que o registro de crimes sexuais permanece nos arquivos da polícia. Os arquivos são apagados 15 anos após o delito. A Ministra da Justiça, Maria Berger, quer ampliar este prazo para 30 anos, enquanto o Ministro do Interior, Günther Platter, pleiteia que os dados sejam arquivados por toda a vida do infrator. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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