Polícia Civil do RJ utiliza arma proibida pelo Exército

A Polícia Civil do Rio utiliza em suas operações uma metralhadora MAG, de fabricação belga, calibre 7.62, cujo uso por órgãos de segurança pública é permitido apenas às polícias federal e militar estaduais. De acordo com o Exército, que regula e fiscaliza a compra e emprego de armas em todo o País, as Polícias Civis não têm autorização para utilizar este modelo de armamento, cuja capacidade de disparo varia de 650 a mil tiros por minuto.

MARCELO GOMES, Agência Estado

13 de maio de 2013 | 20h18

O uso foi admitido nesta segunda-feira, 13, pelo subchefe Operacional da Polícia Civil, delegado Fernando Veloso, em entrevista coletiva convocada para explicar quais procedimentos serão adotados após o vazamento para a imprensa de vídeos de duas operações que mostram supostas irregularidades cometidas por policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).

"O emprego da MAG não é novidade pelas polícias do Estado do Rio. Neste caso, a arma foi cedida pela Polícia Federal num ato de cooperação visando à captura do (traficante) Matemático. A PF tinha uma investigação sobre o paradeiro dele e pediu que a Polícia Civil desse apoio aéreo, e a PM, apoio terrestre. Além disso, o calibre 7.62 da MAG é compatível com o de armas usadas pelas forças de segurança do Rio", afirmou Veloso.

O Exército não respondeu ao questionamento da reportagem sobre que medidas serão tomadas pela instituição para investigar e punir o uso irregular da metralhadora pela Polícia Civil fluminense.

Em 5 de maio, o "Fantástico", da TV Globo, exibiu imagens de uma operação na Favela da Coreia, também na zona oeste, que resultou na morte do traficante Márcio José Sabino Pereira, o Matemático, em 11 de maio de 2012. O vídeo mostra os agentes atirando de um helicóptero contra um carro onde estava o bandido, apesar de haver várias casas, prédios e pedestres na linha de tiro. A MAG estava sendo usada no helicóptero.

E no último sábado, 11, o jornal Extra divulgou imagens de um confronto entre agentes e traficantes na Favela do Rola, zona oeste da capital, em 16 de agosto de 2012, que terminou na morte de cinco homens. Uma das vítimas, que estava desarmada, aparece sendo carregada por policiais para um bar, conhecido reduto de traficantes da favela. O objetivo, segundo o jornal, seria forjar um auto de resistência (morte em confronto com a polícia).

A chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, admitiu nesta segunda-feira que, apesar de a instituição possuir o equipamento que filma as operações aéreas desde 2010, ainda não há um protocolo que regulamente sua utilização, armazenamento e análise de imagens geradas. Ela estipulou prazo de 30 dias para uma comissão propor uma norma.

Dos cinco mortos na operação na Favela do Rola, dois não tinham antecedentes criminais: Douglas Vinícius da Silva, de 22 anos, e Silas Rosa Guimarães, de 26. A polícia não informou se o homem que aparece sendo carregado pelos agentes da Core é um destes. A identificação dos policiais também não foi divulgada.

A investigação dos cinco homicídios provenientes de auto de resistência foi transferida da 36ª DP (Santa Cruz) para a Corregedoria. Todos os policiais da Core que participaram da operação serão novamente ouvidos. "O objetivo é individualizar a conduta de cada agente. Somente após isso, vamos decidir se algum servidor será afastado disciplinarmente", disse o delegado-corregedor Glaudiston Galeano.

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