Polícia cogitou prender casal no dia da morte de Isabella

Diretor do Decap afirmou que já tinha certeza sobre culpa de Alexandre e Anna Jatobá no dia seguinte

Carolina Freitas, Agência Estado

13 de maio de 2008 | 19h14

Treze dias depois de concluir o inquérito sobre a morte de Isabella Nardoni, de 5 anos, a Polícia Civil resolveu comentar o caso, em entrevista coletiva, na sede do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), em São Paulo. Em clima de comemoração, o diretor do Decap, Aldo Galiano contou detalhes da investigação nesta terça-feira, 13. Revelou que cogitou prender Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá no dia do crime, 29 de março, e que, no dia seguinte, a polícia já tinha certeza sobre a culpa do casal.   VEJA TAMBÉM Sangue no carro de Alexandre era de Isabella, reafirma IC Pai de Isabella é transferido do 13º Distrito Policial Pai de Alexandre diz que mãe mentiu em entrevista Julgamento pode ocorrer em 2009, diz promotor Justiça mantém pai e madrasta de Isabella na prisão Imagens da prisão do casal  Fotos do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso  Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella    Segundo, Galiano o flagrante foi discutido em um telefonema entre ele e a delegada do 9º Distrito Policial Renata Helena Pontes, que investigou o caso, na noite do crime. "Ela me ligou e narrou uma série de fatos. Aventamos de fazer um flagrante, mas as provas ainda eram fracas", afirmou Galiano. "No domingo à noite vieram provas contundentes e tivemos certeza de que tudo indicava para o casal."   O diretor do Decap disse que foi determinante para o indiciamento de Alexandre e Anna Carolina e para descartar a hipótese de uma terceira pessoa ter entrado no apartamento e jogado Isabella do 6º andar o curto período de tempo entre a chegada da família ao prédio e a queda da menina.   Passaram-se 7 minutos e 30 segundos entre os dois eventos, segundo Galiano. Além disso a polícia considerou o fato de nada ter sido roubado do apartamento e a ausência de rastros de escalada nos muros do residencial. "Havia fuligem no muro e qualquer um que tivesse escalado no local deixaria marcas", afirmou o diretor do Decap.   Galeano disse que tentou não acreditar que o pai e a madrasta da menina fossem os autores do crime. "Temos filhos e família, por isso custamos a acreditar no que víamos. Você vê, mas não quer que seja verdade", disse o delegado. "Tenho 32 anos de polícia e uma forte convicção pessoal sobre os indícios de materialidade do crime."   Galiano disse que a polícia optou por falar nesta terça à imprensa por acreditar que a negativa do habeas-corpus do casal pelo desembargador Caio Canguçu de Almeida, endossa as conclusões do inquérito policial. "Seria prematuro ter falado antes, sem o aval de ninguém", afirmou. "A decisão do desembargador coroa o trabalho da Polícia Civil. Temos agora o endosso das duas entidades mais éticas do Brasil - o Ministério Público e o Tribunal de Justiça."

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