Polícia da Tunísia dispersa protesto de milhares de islamistas

A polícia da Tunísia recorreu a gás lacrimogêneo nesta terça-feira para conter milhares de manifestantes islamistas, entre os quais alguns que tentaram entrar à força no gabinete do primeiro-ministro, no centro da capital, Túnis, segundo constatou um repórter da Reuters no local.

REUTERS

14 Outubro 2011 | 11h22

Berço da Primavera Árabe, a Tunísia realizará na semana que vem uma histórica eleição que agora corre o risco de ser ofuscada pela crescente tensão entre islamistas e secularistas sobre os rumos que cada qual quer para o país.

O protesto começou de modo pacífico, com mais de 10 mil pessoas gritando "Allahu Akbar!" (Deus é Grande) e exigindo a imposição da lei islâmica, a Sharia, na Tunísia. Foi a maior manifestação realizada até hoje pelos islamistas na capital.

Quando a multidão se aproximou do gabinete do primeiro-ministro interino, Beji Caid Sebsi, alguns grupos tentaram romper a barreira policial.

A polícia antidistúrbios lançou gás lacrimogêneo e usou cassetetes para dispersar os manifestantes, que responderam lançando pedras contra os policiais.

Depois de cerca de meia hora a multidão se dispersou, ficando apenas um pequeno grupo de rapazes jogando objetos na polícia.

Testemunhas disseram à Reuters que houve protestos de islamistas em três outros locais da capital, cada qual reunindo milhares de pessoas.

Segundo os relatos, um grupo se dirigiu a uma estação de TV que recentemente irritou os religiosos conservadores por ter transmitido um filme que mostrava uma figura de Deus.

A Tunísia surpreendeu o mundo em janeiro quando protestos em massa derrubaram o presidente Zine al-Abidine Ben Ali. Sua revolução inspirou levantes similares no Egito, Líbia e Iêmen, entre outros países do mundo árabe, mudando o panorama político da região.

O país realizará em 23 de outubro eleição para a Assembleia que redigirá a nova Constituição. A votação está sendo considerada a primeira eleição genuinamente democrática no país.

Mas o processo alimentou as tensões entre os islamistas, que pela primeira vez estão livres para expressar suas opiniões, e os secularistas, os quais temem que seus valores liberais, modernos estão sob ameaça.

(Reportagem de Tarek Amara)

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