Polícia de São Paulo tem déficit de 842 delegados

O déficit de delegados de polícia no Estado de São Paulo pode chegar a 25% dos 3.300 profissionais ativos - ou seja, seria necessária a contratação de 842 delegados. Segundo o sindicato da categoria no Estado, os baixos salários levam os profissionais a exercer a carreira em outros Estados, onde os rendimentos são mais altos, ou mesmo migrar para cargos no Judiciário, que pagam melhor.Procurada pela reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a Secretaria da Segurança Pública informou que não revelaria qual o déficit de policiais no Estado. No entanto, números do Departamento de Administração e Planejamento (DAP) da Polícia Civil e da própria SSP, publicados em abril, apontavam a falta de 335 delegados para preencher vagas deixadas por aqueles que pediram exoneração, se aposentaram ou estão afastados, além de 507 para unidades criadas nos últimos anos. Desde a divulgação desses dados nenhuma nova turma de delegados foi formada. Não estão sendo levados em conta, porém, eventuais licenças ou remanejamentos de profissionais após abril, o que pode ter alterado o tamanho do déficit.O principal motivo da debandada, segundo o sindicato, é o salário pago à categoria, considerado um dos menores do País. Um delegado em começo de carreira em São Paulo recebe de R$ 3.600 a R$ 4.200, dependendo do tamanho da cidade. No Distrito Federal, o piso é de R$ 11.600; em Mato Grosso, de R$ 8.900; no Paraná, de R$ 8.800. De acordo com o sindicato, só a Paraíba paga menos que São Paulo - cerca de R$ 3.600. Os delegados pedem na Justiça a equiparação salarial com promotores e procuradores do Estado, que têm vencimentos de cerca de R$ 12 mil mensais. Segundo o presidente do sindicato, José Martins Leal, a carência atinge todas as regiões: faltam 50 nas 38 cidades da região de Campinas, 50 nas 52 cidades das regiões central e de Piracicaba e pelo menos 32 nas 93 cidades da região de Ribeirão Preto.Na capital paulista, de acordo com o sindicato, faltam 150, além de outros 80 na Grande São Paulo. Segundo Leal, um dos DPs onde a situação é mais preocupante é o 73º (Jaçanã), na zona norte, que divide quatro delegados de plantão com o 90º (Parque Novo Mundo), na mesma região.

AE, Agencia Estado

28 de novembro de 2007 | 09h38

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