Polícia descobre dez mandamentos da máfia siciliana

Decálogo é encontrado no esconderijo de um líder mafioso preso nesta semana

Valquíria Rey, BBC

08 de novembro de 2007 | 12h30

A polícia da Itália descobriu que, a exemplo da Igreja Católica, que tem seus Dez Mandamentos, a máfia siciliana também redigiu uma lista com dez regras que devem ser cumpridas por seus membros.O decálogo do perfeito mafioso foi encontrado por policiais da cidade de Palermo, na Sicília, em meio à papelada no esconderijo de Salvatore Lo Piccolo - o chefe da organização criminosa Cosa Nostra, preso na última segunda-feira. De acordo com o código de honra, cujo título é Direitos e Deveres, fica proibido aos membros da organização exagerar no vinho, jogar, mentir, trair a mulher, freqüentar bares, apresentar denúncias e se apropriar de dinheiro que pertence a outra família mafiosa. As regras buscam preservar a segurança da Cosa Nostra, mas também nortear o comportamento de seus integrantes, impondo fidelidade e obediência, além de sobriedade e moderação. Com relação às mulheres, o decálogo define com detalhes como os homens devem se comportar."As esposas dos nossos amigos não devem nem mesmo serem olhadas", diz. O mesmo vale para as filhas e irmãs dos integrantes.Segundo o documento, "uma traição sentimental em família é uma tragédia".O código também afirma que uma mulher basta. Ter duas é muito arriscado. O mandamento mafioso explica que isso pode colocar em perigo o interessado e, em conseqüência, todos os outros."Ou a mulher, ou a amante, porque mais cedo ou mais tarde, em um momento de raiva, com rancor, uma delas pode deixar escapar um palavra a mais. Isso pode ser uma ameaça a Cosa Nostra."O decálogo assinala que um bom mafioso deverá estar sempre disponível à organização, até mesmo se a mulher dele está para dar à luz. Salvatore Lo Piccolo, de 64 anos, foi preso nesta semana depois de 25 anos como fugitivo. Junto com ele estava o filho Sandro, de 32 anos, procurado pela Justiça há seis anos.Conforme a polícia italiana, ele assumiu a chefia da Cosa Nostra em abril do ano passado, depois da prisão de Bernardo Provenzano, que dirigiu por mais de quatro décadas as atividades do grupo na clandestinidade.Lo Piccolo era considerado um dos criminosos mais procurados no país, acusado de tráfico de cocaína, homicídio e associação mafiosa."Eles não são meros fugitivos, mas chefes mafiosos que exerciam seu poder sobre o território", disse o procurador de Palermo Francesco Messineo, logo após a prisão.Na avaliação da polícia siciliana, o decálogo é útil ao pragmatismo mafioso. O décimo mandamento é o melhor articulado e dá indicações precisas sobre aqueles que podem fazer parte da Cosa Nostra. Ele diz que é proibido o ingresso de quem tem parente nas forças policiais italianas, de quem já traiu sentimentalmente em família e daqueles que têm um comportamento péssimo ou não respeitam os valores morais.Junto com o código, os policiais apreenderam uma imagem sacra, junto com o juramento de filiação ao grupo. No juramento, o mafioso iniciante promete ser fiel à Cosa Nostra, e diz que, se trair a organização, sua carne "deve queimar".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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